O vírus da nossa ressurreição

By Alú Rochya - junho 11, 2020

O coronavírus da ressurreição

 ◢  Alú Rochya 

Dizer que o mundo está em crise é, a essa altura da partida, uma obviedade. Porém, resulta menos óbvia a afirmação de que essa crise é terminal. Terminal?... Sim, terminal. É como uma doença da qual uma pessoa não vai conseguir escapar senão passando a outro estado, passando de esta vida a outra vida. E a situação que fica no meio, entre uma vida e outra é a doença, que pode se alastrar por um tempo mais ou menos longo até que a morte separe uma vida da outra.

Bem, como sociedade humana, estamos no meio da doença. O atual sistema organizacional -econômico, político, social, etc- está doente e condenado a morrer. Não parece ser possível sustentar o funcionamento de uma sociedade onde quase um bilhão de pessoas estejam vivenciando o horror da fome, num mundo que produz tanta comida que se calcula que poderia se alimentar quase 13 bilhões de seres humanos tranquilamente (o dobro do número de pessoas que existe).

É aceitável, então, que a cada seis segundos uma criança morra em decorrência da desnutrição? Ou que a  fome no mundo esteja concentrada em 98% dos casos em países em desenvolvimento? Pode-se admitir como normal que as seis pessoas mais ricas do Brasil concentrem, juntos, a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do país, ou seja, a metade da população brasileira (209 milhões)? Ou que os 5% mais ricos se beneficiem de uma renda que é igual aos demais 95% da população? Até quando tanto desequilíbrio e iniquidade poderá ser mantida?

O fenômeno da pandemia do coronavírus veio para que as pessoas que não conseguem entender as metáforas atendam as evidências. O mundo em que estão sobrevivendo entrou, definitivamente, em colapso. E sua morte se aproxima com uma velocidade antes nunca vista. 

Assim, o coronavírus colocou em jaque não apenas a onipotência humana mas todo o sistema, a chamada ordem mundial onde quase tudo está fora da ordem. Então, o bichinho falou: bem, meus queridos, vamos parar com todo essa merda, vamos dar um tempo, vamos enxergar as coisas como elas são, sem fantasias nem ilusões e ver se podemos dar-nos uma nova ordem que sirva a todo mundo e não apenas a uns poucos, tá?. E nos deixou cheios de perguntas flutuando num vazio de respostas, fazendo da incerteza do amanhã as angustias de hoje.

A primeira dúvida é não saber se vamos sair vivos dessa. A morte suspendeu esse costume milenar de escolher sempre os mais fracos, agora ficou mais democrática e paira sobre a cabeça de todos e qualquer um, sem discriminação nenhuma. Mas, se conseguimos driblar à parca, ficamos sob outra ameaça: não temos mais futuro; ninguém sabe o que irá acontecer nessa vida. Você já viu, as previsões mudam semana a semana.

Pois é, fomos confinados a viver num brutal aqui e agora que nosso ego controlador não consegue enxergar como o que verdadeiramente é: um presente. Só nos resta viver no presente. E assim, claro, longe das cargas de um passado que como tal não existe e de um futuro que não existe porque ainda nem nasceu, nossa ideia do que era a vida e o tempo mudou dramaticamente. Apenas dispomos de hoje para respirar, sentir, enxergar, conhecer, valorar, amar. 

Fim de linha
Chegamos ao fim de uma viagem de milhares de anos. Aleluia!!! Estamos vivenciando o momento final de uma civilização. Não de qualquer civilização mas de nossa própria civilização. A mesma que, com ações e omissões, com mais ou menos entusiasmo, com maior ou menor participação, cada um de nós ajudou a construir milênio trás milênio. Uma obra que alcançou seu apogeu na segunda metade do século 20, a cavalo do mais espetacular salto tecnológico já conhecido pelo ser humano.

Sim, é o fim do mundo. Esse mundo acabou e outro vem aí. Tá, mas como ele é?...  Aí é que está difícil, viu? Basta ver o desapontamento de presidentes e lideres mundias assistindo, impotentes, ao desmoronamento das estruturas podres sem saber direito o que fazer, para onde apontar a bússola. Porém já podemos dizer que não se trata de um simples ajuste do atual sistema mas de uma mudança total de paradigma.

Não iremos encontrar a solução dentro do problema. Este existe a conseqüência de uma visão totalmente errada da vida no planeta. Os seres espirituais que encarnamos em corpos humanos viemos aqui a fim de experimentar diversas vivências que sirvam a um plano de evolução próprio. O propósito é a elevação em graus de consciência que aprimorem nossa condição de espíritos e nos permita ter uma existência mais harmônica, eficiente e feliz. E quando falamos de espíritos, estamos a falar de emoções, sentimentos, valores, ética, vocações. Não se trata de contas bancárias, títulos de propriedade, capacidade de consumo ou cargos de poder.       

Estamos neste plano/planeta para usar a matéria como ferramenta para nosso aprendizagem/evolução, materializando ações que nos levem a crescer espiritualmente. Quer dizer, preciso de matéria, tangível, visível, palpável, para realizar (fazer real) as condições invisíveis do invisível espírito que eu sou e praticar assim o que vou aprendendo. Por tanto a matéria, seja um fósforo ou um avião, tem que estar a serviço das pessoas e não o contrário. Dá pra compreender?

Não parece mas é simples. Se você soma os valores de todas as coisas que você arrebanhou, de todos os seus saldos bancários, de seus créditos de cartão, de suas propriedades e coisa e tal, e bota no total o melhor preço de mercado, poderá conferir que tudo isso não vale ni uma grama do valor que você tem como pessoa. Você poderia perder tudo isso e ainda seria você. Você é o eterno, o demais cheira bem mas é perfumaria.

A hora de nossa ressurreição
Depois da experiência do coronavírus, já nada será igual. Uma era chega a seu fim e outra era está começando. Teremos, então, que corrigir o rumo atual de nossa vida. E qual o sentido, qual a direção? A chave é olhar ao nosso arredor. Enquanto o ser humano desespera hoje para evitar o aniquilamento da espécie, o resto da natureza está se regenerando e funcionando em perfeita harmonia. E então?

Há um plano que contempla mudanças astrais que atingem nosso planeta e todos seus seres vivos. Todo o sistema solar está se deslocando para posições cósmicas de maior luz, que é maior informação. Esse movimento, esse giro galáctico, com mais informação cria maior consciência e traz uma nova energia com benditas vibrações de amor, paz, justiça, solidariedade, fraternidade e benevolência.

Seria interessante nos alinhar com esse movimento e começar a sentir o que é que vibra em nossa alma e na alma dos demais. E encontrar nesse território invisível e, no entanto, poderoso, as verdadeiras razões de existir, de estar aqui e agora em este planeta. Que não é outra coisa que crescer e expandir-nos ao ritmo do universo. 

É chegada a hora de ressuscitar, como a Ave Fênix, das cinzas da velha, decadente e obsoleta civilização materialista que nos mantém natimortos e reconhecer-nos como espírito todo-poderoso, para poder ser guiados só pela alma, botando nosso corpo e as demais manifestações materiais ao serviço de nossa aprendizagem e evolução e não o contrário. Somente acatando na carne o mandato divino de nossa alma poderemos alcançar esse estado de paz e felicidade que tanto procuramos mas não o achamos.

Isso queria nos dizer o ressuscitado, o mestre Jesus, quando falou: Só a verdade os fará livres. A verdade total, última e absoluta que nos permita transcender todas as ilusões desse mundo que é tão ilusório que um invisível bichinho o está fazendo ruir. ✤
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