Amor próprio

By Alú Rochya - março 31, 2021



Em tese, o ego é um ator que desenvolve, no teatro da vida planetária, uma personagem provisória que representa aquilo que verdadeiramente somos em todo e qualquer canto do Universo: um alma, um ser espiritual, um ser de luz.

Como alma, chegamos à Terra com um propósito e um roteiro. Viemos a apreender coisas para nos aperfeiçoar, pois esse é o sentido eterno do Universo, a evolução sem fim. Também temos que deixar por cá o muito ou o pouco que já sabemos, para assim colaborar com a evolução de outros, do mesmo jeito que outros, direta ou indiretamente, colaboraram com nós.    

Para fazer realidade isso, aqui precisamos de um ego/personagem que nos expresse cabalmente frente ao mundo. Todos somos seres espirituais vindos de outros planos galácticos e vibramos numa frequência mais veloz e por isso somos etéreos, invisíveis. Como fazer para poder ter uma experiência no plano terreno e interatuar com os demais seres do planeta? Com um corpo mais denso e que por isso vibra mais devagar e se faz visível. E com um cérebro que ordene a esse corpo as ações necessárias para que a alma possa desenvolver seu roteiro. As formas do corpo, o modo em que ele se movimenta, o jeito com que atua, as roupas que veste, as atividades que pratica vão construindo e desenvolvendo uma personalidade que, na teoria, deve traduzir exatamente a alma, como ela é e que ela quer. Essa personalidade ou personagem que nos representa é o veículo que no leva e nos traz e que chamamos de ego.           

Então, o meu ego é uma chave para fazer  minha passagem por cá. Mas, amiúde, o meu ego acaba sendo um ator muito ruim. Para andar por esse mundo fora e conseguir ser funcional se copia muito dos demais e acaba parecendo pouco comigo. Porque? Porque eu, alma, deixo que ele vá atrás dos padrões da sociedade enquanto eu fico escondida. Mas, porque se eu venho a fazer o meu vou ficar escondida? Porque o sistema que controlava o mundo impus padrões, formas de ser e de se comportar e se a gente fugia dos padrões era (ainda é) castigada, marginalizada. Então eu, alma, tenho medo de ser como sou, porque eu não sou tipo padrão, eu sou diferente.  Mas, na verdade, como sou única e irrepetível, sempre serei diferente, não tem jeito. Ou sou o que sou ou vou muito sofrer. Mas mesmo assim, muitas vezes não consigo porque acredito pouco em mim.

Então? Ai é que vem o tal de amor próprio. Preciso me amar. Porém, me amar não é exaltar o meu ego, me amar por fora mas recuperar a identificação com a minha alma e o contato direto com ela e tudo aquilo que levo por dentro. Preciso me reencontrar com ela, comigo mesma, para me reconhecer, me descobrir. Preciso sair de todos os armários e da armadura, liberar-me dos padrões de fora para sentir tudo isso invisível que sou por dentro, para saber o que estou fazendo por estas pampas, o que eu desejo experimentar, vivenciar. 

Amar a si próprio é respeitar essa essência sagrada que eu sou. Tratando e cuidando dela como se fosse uma criança. Me responsabilizar por mim, sem esperar que alguém chegue para me amar. Claro que é maravilhoso ser amado por outro, porém isso é uma bela possibilidade e não uma necessidade. E eu vou saber como me amar melhor que ninguém por uma razão óbvia: quem sabe de mim sou eu.

Amor próprio é acatar na carne o mandato divino da alma. Colocar meu ego/personagem ao serviço de meu ser espiritual, esse secreto que amo incondicionalmente. E por amor, tento iluminar suas assustadoras sombras com minhas reveladoras luzes. Fazendo comigo o movimento de expansão que o Universo faz com ele próprio. Me alinhando com ele em vez de andar caminhando não contramão.
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