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| Somos seres vindos de estrelas distantes, espíritus sutis enfiados na camisa de força desse corpo denso e limitado, para experimentar uma intenção evolutiva. |
➽ Precedida das três grandes revoluções que mudaram radicalmente a vida no planeta, um quarto movimento evolutivo aparece nos primórdios do novo milenio e já vai conquistando nome próprio: Revolução Espiritual. Ela chega atravessando as turbulências do fim dos tempos e botando os pilares sobre os quais irá a se configurar um tempo novo para o planeta Terra e a humanidade.
Não é religiosidade, não tem igreja e muito menos dogmas. Trata-se de uma nova visão, mais abrangente e inclusiva da humanidade, que reconhece os vínculos e a inevitável e necessária interdependência entre todos os elementos, sejam positivos ou negativos, que viajam pelo espaço a bordo da nossa nave mãe.
A vida da espécie humana mudou radicalmente a partir da primeira dessas tres revoluções, a Revolução Industrial, que se desenrolou entre 1760 e 1840, período no qual a manufatura de produtos passa da limitada produção elaborada pelas criativas mãos dos artesãos para uma produção massiva posibilitada pelo uso de máquinas.
A segunda revolução é a denominada Científico-Tecnológica que, a longo do século 20, funciona como um upgrade da anterior avançando na automação daquela produção en longa escala, modernizando os procesos e acabando por criar um ámbito comercial global.
O capitalismo, que vinha sustituindo o sistema feudal, amadurece de vez e se afirma como o sistema materialista dominante, tirando proveito dos benefícios organizacionais e produtivos de essas dois revoluções. É o chamado progresso, cujo traço mais distintivo foi a desnatureza brutal da aceleração da vida, consecuencia lógica da inédita aceleração da produção de bens e serviços.
Nesse embalo foi aparecendo a democracia que, até meados do século 20, assegurava amplos direitos para a elite mandante que usufria os ganhos da modernização e poucos direitos para a maioria da população mundial, usada como força produtiva em troca de compensações mínimas que apenas garantiam uma precaria sobrevivência.
As leis do universo procuram o equilíbrio e, por isso, planetas e estrelas não batem entre eles e dançam harmoniosamente. Nessa linha, essas leis pressionam para superar qualquer descompasso devenido do movimento cósmico de expansão e transformação.
Assim, as profundas desigualdades geradas pelo progresso em nosso planeta encontraram uma reação daquelas maiorias marginalizadas do acesso aos frutos. E no transcurso das décadas de 1960 e 1970, múltiplas e diversas expressões artísticas, culturais, sociais, económicas e políticas, clamando por liberdade e igualdade, floresceram pelo mundo afora.
Desde a contracultura hippie, criticando o sistema capitalista e a sociedade de consumo, propondo uma vida comunitária baseada em igualdade e paz entre as pessoas e condenando todo tipo de guerras e violência até os movimentos guerrilheiros que, no outro extremo, pregabam a luta armada para acabar de vez com a plutocracia explotadora e excluinte, um amplo, diverso e colorido leque de movimentos em estado de rebeldía achavam seu comum denominador numa palavra vital, empolgante e promissora: revolução.
A terceira grande revolução. Revolução. Assim, sem aditamentos. Esse passaria a ser o sobrenome de uma família generacional de re-evolucionários que chegou para quebrar tudo e botar o mundo de pernas pro ar. Uma revolução caleidoscópica, manifestada em inúmeros fractais diversos e semelhantes ao redor do mundo, com o principal objetivo de botar um pau na roda do sistema dominante.
Enquanto os donos do jogo entendiam que, depois da Segunda Guerra Mundial, a manipulação das energias densas e negativas tinha alcançado um ponto ideal para afiançar a Matrix de controle e submetimento do planeta, com eles dando as cartas e ficando sempre com os ganhos das apostas, un vasto sentimento se expandía demandando mais outra volta do espiral ascendente.
Clamava-se por um salto quántico evolutivo, uma re-evolução que arrebenta-se as correntes e colocasse os direitos conhecidos como um direito de todos e inventasse novos direitos que deram garantia de existência aos infinitos rostos da humanidade que emergiam nas ondas da pleamar desbordante das liberdades democráticas.
Depois dessa
multipolar re-evolução,
o mundo já no foi o mesmo.
A verdade veio à tona, foi ganhando espaço e tudo foi ficando visibilizado. Assim, o mundo patriarcal, produtivista, consumista, hiperconectado, interdependente e vertiginoso onde uns poucos super-ricos são cada vez mais ricos e as multidões de pobres ficam cada dia mais pobres, acabou por achar seus próprios limites e mergulhou num estado de crise terminal que, desde o ano 2008, vai se extendendo como uma mancha de óleo, sem soluções à vista.
Surfando na ressaca dessa crise, aparece um quarto movimento de impacto civilizacional: a Revolução Espiritual. Trata-se de um estagio de re-evolução não violento, múltiplo, diverso, que floresce no interior do ser humano e transcende qualquer limite da ordem material como também as fronteiras de caráter religioso. E apoia seu dizer e seu fazer na energia mais poderosa e inteligente do universo: o amor.
A partir da revolução industrial, o modo primordial de vida em nosso planeta se materializou radicalmente, até o ponto de fazer que os próprios humanos passaram a ser tratados como meros objetos, uma espécie de bonecos carnais. Poderiam ser comprados, vendidos, leiloados, trocados, descartados.
A manipulação foi tão arrasadora que as próprias pessoas perderam de vista sua condição de sujeitos. O materialismo determinou que a energia densificada, visível, palpável, mensurável, fosse o alfa e o ômega da existência humana, o sentido primeiro e último do fato de estar vivo, desdenhando, desvirtuando, manipulando toda informação espiritual, invisível, incomensurável e transcendente.
Em consecuência, as características sutis do ser (sentimentos, valores, emoções, vocações, sonhos, dignidade, etc) ficaram num segundo plano, flutuando num limbo.
Uma colosal maquinária subliminal foi degradando cínicamente aos indivíduos, esvaziando-os do poder espiritual e oferecendo subtitutos materiais onde a felicidade pode ser achada nas prateleiras do mercado. A Coca-Cola foi mais longe e nos incitou a abrir uma garrafa do tradicional refrigerante para pegar a tal de felicidade. Bebei o elixir e sereis felizes.
No sentido contrário, de dentro pra fora, da intimidade subjetiva do ser para a objetividade das circunstâncias, vem se gestando, nas mais diversas latitudes, um movimento de transformação da obsoleta energia e seu fracassado paradigma civilizatório, expressado em rebeliões de múltiplas facetas. Individuais, grupais e coletivas, elas se alimentam de um menú com as mais variadas reivindicações.
Já não é apenas o enorme pano branco clamando em letras pretas por Paz, Pão e Trabalho, detrás do qual ainda marcham desesperadas muchedumbres agônicas. No rasto da Primavera Árabe, outras multidões se espalham pelo planeta, armadas de cartazinhos multicores que gritam as inúmeras demandas de gente sedenta de liberdade e realização pessoal, como expressavam as massivas manifestações que desbordaram as ruas do Brasil em 2013.
É como se uma murmurante procesão de homens e mulheres que rogabam aos céus pelo mínimo pão nosso de cada dia houvesse explodido em vibrantes desfiles carnavalescos, para exigir que os rios de leite e mel do paraíso se derramem, abundantes sobre a Terra, aqui e agora.
Se espalha um espíritu de re-evolução, de vontade de dar mais um passo a frente no proceso evolutivo e, tateando, meio cegas, meio dormidas ainda, as pessoas começam a sentir, a pressentir, a perceber que há muito mais além do que nossos olhos comuns conseguem olhar.
Ter em conta às pessoas
em sua qualidade de almas,
únicas, irrepetíveis.
Aborrecidos pela corrupção, abusos, submetimento, discriminação, descaso e de serem tomados por idiotas, os cidadãos sem cidadania tentam ensaiar um basta!!! de caráter sagrado. Um limite que revele a necessidade preemente de ter em conta às pessoas em sua qualidade de almas, únicas, irrepetíveis. Ou, se preferir uma versão mais carnal, em sua dignidade humana. Respeito por seus sonhos, anseios, vocações.
Intuitivamente, as pessoas procuram uma justificação ao fato de estar vivendo esta vida de limitações, apertos, agonias, um sentido da presença num planeta hostil. E isso exige não olhá-las como meros robós produtores/consumidores funcionando num círculo bobo de eterna insatisfação, onde a ilusão de felicidade que nos oferece o consumo se esvai quando o último bocado de ilusão é consumido.
Em simultáneo com os reclamos massivos e aproveitando o livro aberto da Internet, no plano individual vamos nos deparando com saberes antigos e lembranças do futuro, que abrem o curso de novas práticas e formas de estar nesta vida aproveitando os presentes que o planeta nos entrega dia a dia e ampliando nossa consciência da realidade.
As pessoas começam a compreender que é de caráter suicida colocar em mãos alheias a existência e o destino de cada um. Aliás, ficar esperando que o sistema que nos inferniza a vida seja a nossa salvação é ingenuidade demais. Assim, aparece um caminho mais autêntico que é a responsabilização de cada um por si próprio, fazernos cargo de nós mesmos sem ficar navegando à deriva na espera de um salvador.
É por aí que, pesquisando, garimpando, experimentando, pessoas estão ampliando sua consciência de como é que as coisas são. E vão se deparando com alternativas. Exercícios de economia colaborativa, veganismo, consumo responsável, permacultura, bioconstrução, terapias holísticas, sustentabilidade, autoconhecimento, vida slow, compartilhamentos de véiculos, vivendas e espaços de trabalho, são apenas alguns dos rótulos que prenchem os vários listados de paradigmas novos focados na realização, no crescimento e no bem-estar da alma.
Somos seres vindos de estrelas distantes, espíritus sutis enfiados na camisa de força desse corpo denso e limitado, para experimentar uma intenção evolutiva. Neste plano terrenal, o corpo resulta imprescindível para realizar o que desejamos como alma. Somos a expressão indivisível de uma entidade espiritual invisível e poderosa num veículo orgânico.
Por isso, toda prática espiritual à margem da materia terrenal é um estéril devaneio, pois essa experiência só podemos realizá-la e processá-la com nosso duplo material, o corpo.
Paralelamente, toda existência vivenciada apenas com a matéria resulta no extravio total de nossa identidade divina.
Ser, aqui e agora, é exercer o equilíbrio cósmico entre o espírito invisível e a matéria visível na que estamos encarnados. Ou seja, viver a experiencia em plenitude, de corpo e alma.
Nunca jamais como hoje se falou tanto de espiritualidade. A revolução espiritual cresce de abaixo, desde a individualidade de cada pessoa, da procura dessa pessoa pela verdade que lhe ajude a encontrar uma luz no fim do túnel sombrio para iluminar as próprias carências e liberar todo su potencial.
Essa espiritualidade não é outra coisa que consciência, um facho que ilumina e revela como é o que é. Conhecimento de como é e como funciona o todo e autoconhecimento de como somos e como funcionamos. Na Internet e outros meios de comunicação podemos constatar que milhares de janelas estão se abrindo trazendo ares renovados sobre o que achávamos que era e como, na verdade, é. Essa verdade que ressoa dentro de nós e que, pelo simples fato de conhece-la, nos fará definitivamente livres.
A contramão das sombras que agitam, desesperadas, os fiapos de suas bandeiras de medo e de ódio, sabendo que chegaram na última fronteira, no fim dos tempos, as luzes do tempo novo vão se acendendo, propiciando um novo amanhecer, revelando os belos estandartes que nos guiam em direção ao despertar da consciência cósmica, a uma revolução global, uma revolução de amor. Axé. ✤
AR 🌻

