Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós, Tenho que apagar a luz, tenho que calar a voz Tenho que encontrar a paz... - Gilberto Gil - |
➽ Uma explosão você percebe no ato. Mas o que vai acontecendo aos poucos se faz difícil de reparar. Ainda mais se isso tem a ver com costumes, hábitos, padrões que vão modificando-se dia após dia, gotejando a mudança até fazê-la um mar onde você vai flutuando à deriva sem atentar. Assim foi como o mundo foi acelerando, devagar e sem avisar, até chegar ao frenesi dos dias presentes. E a gente nem percebeu. Nem a aceleração nem nossa alienação.
Para perceber, só parando, puxando o freio de mão. Se você consegue parar a roda e, por exemplo, ler este texto até o final, talvez consiga descobrir quanto lhe é roubado de si própria, botando você na correria, feito hamster, para nunca ir a lugar nenhum, sempre chegar ao mesmo ponto, onde a roda viva inicia mais uma voltinha.
Nesse primeiro quarto do século 21 essa velocidade absurda foi aumentando paulatinamente e acabou configurando uma vida de sprinters. Esforço máximo para cruzar a linha de chegada o mais rápido possível. Fazemos tudo na correria e, claro, de modo superficial.
Ligação por vídeo em vez do encontro pessoal; fast food no drive thru no lugar da comida caseira servida na mesa compartilhada; troca de mensagens curtos em lugar da conversa sem pressa; procura de sucesso imediato perseguindo metas e negligenciando o processo; adultização de crianças e adolescentes queimando etapas do amadurecimento; perda da noção dos tempos da natureza; ansiedade, depressão, pánico, doenças derivadas de uma vida turbinada.
A tecnologia nos tirou de uma existência integral, lógica e sequencial e nos empurrou para dentro de uma vida fragmentada, paradoxal, aleatória, feita de flashes, de vídeos shorts, textos breves, cliques randômicos, emoticons. Nesse universo comunicacional, a ideia como fundamento desapareceu. Em consequência, os conteúdos transcendentes são esvaziados e a alma, o interior mais íntimo da pessoa, é impactada pelo peso brutal da sensação de vazio.
A vida virou um caleidoscópio, um turbilhão de formas e cores que mudam a cada movimento sem significar muito mais que isso, formas e cores. Tudo é superficial, instantâneo, efêmero, alheio. Perdem-se os valores, nada importante tem importância. Nada dura, tudo é descartável.
O mundo virtual vai desvirtuando o mundo real. O cidadão pode atravessar a cidade inteira sem reparar em ninguém. Anda com o nariz enfiado no celular, guiado por um GPS. Até parece que leva um celular nas suas mãos, mas não, o celular é que leva ele pelo nariz. Ele vai viajando dentro do celular, atrapado pelas redes sociais, pelas mensagens, pelas publicidades, pipocando de uma tela a outra, sem olhar para seu entorno.
Esse caos comunicacional, onde vai gastando, apagando seu tempo, é a vida dele. Ele entende a vida pelo avesso, acha que essa é sua vida real e que tudo o que acontece fora da caixinha é uma vida virtual.
Uma pessoa de 50+ poderá achar que todo esse tráfego veloz e barulhento é normal porque, sem notar, foi normalizando a mudança de modo paulatino e hoje já grudou na sua pele. No caso de alguém que nasceu neste século é pior: tudo isso lhe parece natural, pois ele já apareceu no mundo com essa pele. Porém, essa ordem e esse funcionamento das coisas não são naturais, mas artificiais. A natureza tem tempos mais devagar, sequências lógicas, paradoxos criativos, nada é instantâneo nem resolvido num clique, mas em processos mais complexos e ricos.
Artificial é tudo aquilo produzido pelo ser humano e não pela natureza. Pode até imitar elementos naturais, mas não são: flores artificiais, iluminação artificial, grama artificial, inteligência artificial...
Na artificialidade da televisão, da publicidade, das redes sociais a ficção supera a realidade e o ser humano vai perdendo o controle de si mesmo, a personalidade original vai se desmanchando para dar lugar a uma personalidade padrão, onde todo mundo se parece com todo mundo. Na velocidade do acontecer diário, ninguém tem o tempo necessário para a pausa refletiva que permita sequer discernir se o que vai imitar/copiar, faz sentido, tem significado ou utilidade para o seu desenvolvimento pessoal.
Ainda mais, a pessoa faz questão de se parecer com os outros, porque tem medo de ser diferente e ficar isolada. Assim é que vai se alienando (de alien, alienus, o outro, o outrém), desistindo do ser único, irrepetível que é para ser mais um clone do rebanho geral, imaginando um sentido de pertencimento virtual e, portanto, falso.
Por esse caminho, perde-se a essência da pessoa e fica a casca, a roupagem. E a vida em comunidade passa a ser um faz de conta, parece, mas não é. Porque a verdadeira vida em comunidade, onde todos somos um (comunidade = como-uma-unidade), não é uma coisa uniforme, unânime, mas uma colcha de retalhos.
Todos somos um retalho da colcha geral, e a colcha existe porque cada um faz parte com seu próprio tecido, sua textura, sua cor, seus fios originais e exclusivos. E costurar os retalhos dessa colcha leva seu tempo, como tempo leva para as pessoas se conhecerem, criarem confiança, fazer amizade, amalgamar as diversidades numa comunidade.
Nas cidades grandes o cenário piora. Os laços sociais, as referências culturais, os valores, as identidades, a partilha de informação e experiências, se diluem. A comunidade passa a ser um amontoado de pessoas num território compartilhado onde cada um o usufrui em benefício próprio, mesmo se for em prejuízo do outro. Desmancha-se o que é comum, a colcha geral agora é retalhada e cada retalho passa a viver no tempo do murici, cada um por si.
A imensa maioria das pessoas do planeta anda pelas ruas cheias de gente, mas não conhece quem são esses outros nem sabe nada da vida deles. Cada um deambula sozinho em meio à multidão, onde predomina o caráter anônimo dos indivíduos. E isso estimula o sentimento de solidão, a sensação de isolamento no meio de um mar de gente.
Antes da aceleração da vida, as urbes, inclusive as mais populosas, tinham crescido lentamente. As famílias iam passando suas memórias de geração em geração, as tradições - mesmo renovadas - eram mantidas no tempo, os costumes faziam parte de uma forte cultura local e a cultura era criada e recriada a partir do imaginário coletivo, projetado pelo espírito que animava uma identidade social.
O crescimento demográfico, os avanços tecnológicos e a paulatina conversão das comunidades em sociedades mercantilizadas - onde tudo é regido pela movimentação do dinheiro - arrasaram com tudo aquilo.
Hoje as pessoas entram e saem do shopping, da rodoviária, do cinema, da feira, da casa de shows e, apesar de todos serem parecidos, não reconhecem ninguém como seus semelhantes nem se reconhecem a si próprias nos demais. São avatares programados para funcionar em si, mas não entre si. Acham-se parecidos, porém se julgam desconhecidos. E, finalmente, cada um se sente sozinho.
No caos frenético da vida urbana, você pode cruzar com milhares de rostos, mas ninguém sabe de suas penas nem de suas alegrias, de suas certezas, suas dúvidas, frustrações, necessidades, expectativas, acertos, erros, ganhos, perdas, planos, sonhos.
Precisados de dar uma identidade a quem vão encontrando no caminho, mesmo para ter uma referência mínima do outro, as pessoas resolvem pela aparência, pelo exterior, pelo que olham, mas não pelo que veem. Assim, você é enxergado pelo seu aspecto exterior, pelo disfarce, sem que ninguém tenha em conta sua condição de pessoa, sua essência de alma, toda essa trama complexa de informação sobre o que você é. E se torna apenas um indivíduo, um exemplar de uma espécie, mais nada.
Essa solidão na multidão pode resultar na mais dolorida. Nenhuma solidão dói mais do que quando estamos sós em meio a tantos, sem poder compartilhar nada de nós mesmos, da nossa intimidade, com ninguém. É como se estivéssemos atravessando um deserto de pessoas desertas, gente vazia, rasa. Somos como rês desgarrada nessa multidão boiada caminhando a esmo.
Isso não acontece apenas na rua rumorosa, também vivenciamos essa experiência em nossa vida privada, laboral, profissional, vocacional. Ambientes mais restritos, vínculos fortes, histórias compartilhadas, projetos comuns e tudo parecendo dar certo. Só que isso é na superfície, na formalidade, no protocolo. Na realidade mais profunda, aí onde nós somos certamente nós, a conexão com os outros é frágil ou inexistente. Porque interagimos com indivíduos, seres parecidos a nós, porém, não semelhantes a nós.
Ao contrário da definição do dicionário para a palavra semelhante, quando se fala em pessoas, semelhante não é o parecido, mas o diferente. A semelhança está no fundo, na alma que todos somos e no motivo de nossa passagem por este planeta. Somos uma expressão espiritual num estágio evolutivo. E na condição de ser irrepetível, representamos uma singularidade que procura em outras singularidades outras expressões diferentes, diversas, para cotejar, trocar, aprender. Essa é a semelhança, ser todos diferentes.
O filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard dizia que a vida não é um problema a ser resolvido, mas uma realidade a ser experimentada. Quer dizer, você veio a este mundo para vivenciar uma fugaz existência de experiências. Sabendo algumas coisas, veio a deixar algo disso; ignorando outras, a aprender o que puder delas. Nessa premissa se baseia o que nos evidenciava o mestre da educação Paulo Freire: todos ensinamos, todos aprendemos.
Como você pode advertir, as experiências pelas quais irá passar acontecerão num roteiro de trocas entre almas. Assim, a alma que você é precisa de outras almas. Somente com elas poderá intercambiar aquela informação essencial que é invisível aos olhos. Se a tendência da maioria dos seres humanos é interagir superficialmente, escondendo os conteúdos de sua alma, a experiência que você veio fazer no intercâmbio social deriva num intento falho, num projeto frustrado.
Aí nos sentimos como se estivéssemos detrás do vidro de uma janela, olhando passar a vida, o murmúrio das pessoas, o rumor da rua, as formas e cores do caleidoscópio, porém sem conseguir fazer contato com nada disso, sem conexão com algum sentido disso tudo. E nos embarga uma profunda sensação de solidão.
Mas não são os outros os culpados. O sentimento de solidão escancara-se quando pretendemos ser aceitos, compreendidos, aprovados por esses outros. E acompanhados, ajudados, até salvados por eles.
Podemos nos perguntar: quem pode compreender, aprovar e aceitar você melhor que você mesmo? Quem melhor que você pode lhe ajudar, lhe fazer companhia e lhe salvar? O homem falou: Quem sabe de mim sou eu.
Então, fazer o quê?... Se o plano de socialização, de trocas, de intercâmbio não funciona, não adianta insistir, pois a frustração irá crescendo e a alma irá se machucando. Como acontece com frequência, você poderá acabar acreditando que o problema é você, achar que todos funcionam cumprindo sua parte na engrenagem geral e sentir que a peça que não encaixa é você.
Poderia até ser se o mundo fosse equilibrado, igualitário, amoroso, justo, belo. Não encaixar aí seria sintoma de alguma coisa fora da ordem. Mas hoje, o mundo não é precisamente isso. Pelo contrário, ele está em estado de descomposição, decadente, caótico, violento, fraudulento.
Então, você não é o problema. Porém, é certo que você não se encaixa. E, no mundo cão, isso não é um defeito, é uma virtude. Você está conseguindo o que a maioria das pessoas não consegue: usar o cérebro para expressar a alma.
Agora, o lance é saber o que fazer com essa virtude e como administrar uma vida sem se sentir uma pessoa errada ou esquisita.
Aí aparece a solitude, a arte de ficar a sós com você mesma, percorrendo o caminho interior.
Enquanto a solidão te joga num cone de sombra alimentada pela sensação de vazio, falta de conexão, isolamento, carência que você experimenta afora, a solitude te permite acessar a luz própria que brilha em teu interior, iluminando as descobertas que propicia o exercício de ficar você junto de você, sendo amigo, irmão, parceiro, companheiro de você mesma.
As sombras da solidão nos assombram quando nós estamos fora/longe de nossa essência e buscamos com desespero um alguém que preencha o vazio de nós mesmos, às vezes até qualquer alguém, para que com seu olhar piedoso nos brinde uma certidão de existência.
Nós já existimos, não precisamos de ninguém para saber que já somos, que já pisamos esse chão. Para nos encontrarmos com alguém, antes devemos nos encontrar com nós mesmos, completarmos a nós mesmos, ser nós mesmos por inteiro. Até para chegar no outro assim, inteiramente, e não na carência, mendigando afeto e compreensão e com pouco ou nada para dar ao outro.
Fala-se que a solitude é reservar um tempo para refletir sobre nós mesmos, ficar a sós para recarregar as pilhas, reconectar conosco. Seria assim como um isolamento necessário de ser feito de vez em quando. Na verdade, é muito mais que isso.
A solitude é um exercício permanente e natural pelo qual monitoramos o estado da alma. É estar a sós com nós mesmos, coladinhos com o ser espiritual que anima o avatar que nos representa por fora, seja onde for: numa praia deserta, no almoço familiar, na arquibancada do estádio, na cama, na mesa, no trabalho, no lazer, na tristeza, na alegria, agora e na hora de nossa morte (amém). Sempre. Ser nós mesmos 24 horas por dia é a maior felicidade.
A jogada é ir ao encontro do mais essencial de nós mesmos. Se nos tratamos com respeito, compaixão e carinho, iremos reduzir a necessidade de validação externa constante, essa dependência tóxica de algo que funciona como uma droga: quando não a temos, ficamos fissurados, apáticos, depressivos e até podemos flertar com ideias suicidas.
Na solitude conseguimos um diálogo amplo conosco que abre as portas do nosso interior para explorar pensamentos mais profundos, emoções complexas e valores fundamentais, sem a influência ou opinião de terceiros.
Ficando frente a frente conosco, podemos olhar sem véus o ser que somos e passar a aceitá-lo por completo, com o bom e com o ruim, com o lindo e com o feio que carregamos. Afinal, seja como for, somos o que somos. Só na aceitação podemos tentar mudar alguma coisa da qual não gostemos.
Nessa visão íntima, é possível enfrentarmos nossos medos, valorizar expectativas e descobrir desejos sem filtros externos, e alinhar nossas ações com nossos verdadeiros valores, propósitos e aspirações.
Feitos de luzes onde brilham nossas virtudes e sombras que escondem nossos defeitos, o primeiro mandato da solitude é nos aceitar incondicionalmente e amar-nos de maneira incondicional, compreendendo a inevitável imperfeição da qual somos partícipes.
Afinal, o universo inteiro é mesmo imperfeito, sendo essa imperfeição o fundamento de seu permanente processo de evolução.
Nos aceitando e nos amando, podemos lançar mão de nossas luzes para iluminar nossas sombras, reconhecê-las e saná-las, transformando-as em novas virtudes.
Esse exercício que traduz um modo de ser e estar neste mundo é o que pode se chamar de solitude.
É possível que em certas situações precisemos chutar o balde, queimar as pontes com tudo e todos e passar a morar e viver sozinhos. Quando o desatino do barulho sem sentido, a pressão social e a confusão que atordoa se fazem insuportáveis, é lógico e saudável procurar um cantinho tranquilo, longe da bagunça mundana e perto do nosso coração, onde viver em paz.
Isso pode acontecer em qualquer momento da vida, porém, quando a gente entra na reta final da passagem por este plano, o afastamento pode ser uma demanda imperiosa. É o momento em que os ossos estreitam o abraço com a alma, fundindo matéria e espírito na unidade total da última despedida; quando começamos a transitar a distância póstuma que nos separa de nosso lar, do retorno a casa.
Nessa hora, a pessoa pode precisar ensaiar um reconhecimento mais profundo de si mesma, de sua essência álmica, preparando melhor a volta a sua estrela. Já sem esperar chegadas nem lamentar partidas, sentir-se livre em toda sua plenitude, sem espaço e sem tempo, finalmente em paz e silêncio.
Aí a solitude alcança sua plenitude transcendental. Não é apenas tirar o corpo que nos foi emprestado transitoriamente, mas retirar do barulho do mundo a alma eterna que somos. Transcender a manifestação material para redescobrir a essência espiritual, a energia cósmica à qual pertencemos. E isso é uma tarefa em solitário.
Nossa parábola na Terra começa no dia em que chegamos sozinhos e acaba no dia em que vamos embora também sozinhos. Porque, na verdade, esta aventura terrena sempre foi um negócio individual. Pais, filhos, irmãos, vizinhos, amantes, colegas, amigos e inimigos eram apenas coadjuvantes ou extras de nossa própria e única obra, onde o protagonista, único e excludente, éramos nós.
Não viemos a este canto do planeta a trabalhar para os demais, viemos a trabalhar para nós mesmos. A ideia é que, fazendo o nosso, possamos contribuir com os outros. Eu toco o violão para mim; jogo futebol para mim; sou médico para mim; sou costureira para mim; sou amante para mim, mesmo que outros sejam os receptores dos resultados que, por sua vez, servirão ao trabalho pessoal deles.
Nosso roteiro sempre foi absolutamente original, irrepetível, inimitável. Como nós mesmos. No fundo, a solitude não é estar sozinhos, mas ser sozinhos.
Você pode morar sozinha e seguir ligada aos demais, aos padrões dos demais, condicionada pelos demais, alienada nos demais. E pode morar com outras pessoas e praticar a solitude. Aproveitar a própria companhia, não a de seu ego, mas a de sua alma.
Se é verdade que morar de maneira solitária pode nos proporcionar certas vantagens, também não é condição para vivenciar, experimentar, praticar a solitude.
A solitude não significa necessariamente oposição à comunidade; ninguém sente mais profundamente a comunidade do que o solitário, e esta só floresce quando cada um se lembra de sua própria natureza, sem identificar-se com os outros.
O necessário é tomar distância da teia-de-aranha da Matrix, de tudo aquilo que nos atrapa para esvaziar-nos como ser álmico e fazer de nós uma marionete do sistema que sustenta uma organização nefasta contrária aos planos de evolução amorosa que a divindade tem para nós.
A tarefa, na verdade, é simples. Não devemos fazer um trabalho para deixar de ser quem somos, senão todo o contrário: ratificar e validar quem somos. Mas não na aparência e sim na essência.
Para isso, o estado de solitude - que muitas vezes demanda uma moradia solitária- pode resultar uma ferramenta maravilhosa de descoberta e reconhecimento de si próprio, que nos facilite ir ao encontro da consciência cósmica à qual pertencemos. E comprovar que somos uma expressão do Grande Espírito experimentando na Terra uma intenção evolutiva em consonância com a vontade de evolução do Universo. ✤
AR 🌻
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PS:
Às vezes me pergunto se não há uma parte de mim que quer ficar sozinha para sempre. Hoje de manhã, enquanto tomava o chá no jardim, o vento mexia as folhas e parecia que elas respiravam. Me senti pequena, quase invisível e, sem embargo, raramente em paz. O silêncio tinha uma espécie de música. Não comentei com ninguém. Guardei esse momento somente para mim. - Virginia Woolf (Diários)-
Há momentos em que a solitude e o silêncio se tornam meios de liberdade. - Paul Valéry -
Quero ficar só. Gosto muito das pessoas, mas sinto essa necessidade voraz que às vezes me vem de me libertar de todos. Enriqueço na solidão: fico inteligente, graciosa e não esta feia ressentida que me olha do fundo do espelho. Ouço duzentas e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, abro todos os portões e, quando vejo, a alegria está instalada em mim. - Lygia Fagundes Telles (As Meninas)-
Não confunda minha solidão com amargura, sou feliz comigo mesmo e posso compartir essa felicidade com um número muito reduzido de pessoas: raras, loucas, livres e autênticas. - Iván Sotelo -



