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| Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. - Albert Einstein - |
➽ Apesar de muitas pessoas não saberem, o vegetarianismo vai muito além de apenas não consumir carne. É um tipo de dieta que permeia todos os campos da vida e contribui para a construção de uma existência que agrida menos a natureza, proteja o meio ambiente e cuide das expectativas das pessoas.
O vegetarianismo pode ser a mais eficaz resposta ao alerta lançado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) apontando que a biodiversidade do planeta está em grave risco, e que a base dos sistemas alimentares da humanidade está ameaçada.
O principal vilão é, sem dúvida, o desmatamento, que causa impactos negativos múltiplos na biodiversidade vegetal e animal. A agressão é tão grande que afeta até mesmo aquilo que não foi diretamente atingido. Isso acontece porque, ao desmatar determinadas áreas, diversas espécies que precisam de características específicas daquele ambiente para sobreviver passam a ter suas existências comprometidas.
Porém, essa situação não é exclusiva das áreas de pasto. A indústria da pesca causa danos similares na biodiversidade, poluindo rios e oceanos, destruindo sistemas marinhos e eliminando, a uma velocidade alarmante, os estoques ictícolas.
Se não bastasse, milhares de espécies, como lobos, ursos, lontras e onças, vistas como uma ameaça para as indústrias de exploração animal - por razão do risco que oferecem à vida do gado -, são assassinadas diariamente para impedir o processo natural de caça.
E tudo isso para os seres humanos possam comer um tipo de alimento que não precisam: carne.
Cerca de 75% das terras agricultáveis do planeta são usadas para pastagem e produção de ração para a pecuária. Na América Latina, as fazendas de gado são a principal causa do desmatamento de florestas e extinção de plantas nativas. Todos os anos cada vez mais campos de cultivo são instalados em solos inicialmente cobertos por floresta tropical.
Ao contrário do que se pode pensar, o constante desflorestamento da Amazônia deve-se sobretudo a criação de campos de cultivo de soja para alimentar gado de países desenvolvidos ou para construir pasto para o gado brasileiro. As madeireiras, a abertura de estradas e a ocupação desordenada, tem apenas papéis secundários nesta destruição.
Além da ocupação de vastas áreas de terreno para o cultivo de cereais, a atividade pecuária implica o consumo abundante de água potável, gasto de combustíveis fosseis e utilização massiva de pesticidas e drogas. Daqui resulta a erosão do solo, a escassez e contaminação dos lençóis de água, a destruição das florestas tropicais e a desertificação de extensas áreas da superfície terrestre.
O gado, causa e consequência do desmatamento, é o outro grande vilão, colaborando para o aquecimento global. A FAO destaca que a pecuária é responsável por 14,5% dos gases de efeito estufa, poluindo mais do que todos os meios de transporte combinados. Acha um exagero? Veja esse exemplo: a produção de apenas um hambúrguer de carne de aproximadamente 200g é capaz de liberar na atmosfera a mesma quantidade de gases estufa quanto dirigir um carro por 16 km.
O valor estimado pelos cientistas é de que mais de 500 milhões de toneladas de metano são liberadas anualmente na atmosfera, exclusivamente, por conta da criação de gado. Sua emissão, além de ser extremamente prejudicial ao planeta, também representa enormes riscos à saúde humana se inalado, podendo causar parada cardíaca, asfixia, inconsciência e até danos severos no sistema nervoso central.
Problemas de desertificação, erosão e redução dos nutrientes do solo contribuem significativamente para o aquecimento global. As queimadas, método muito utilizado para a retirada da vegetação original e a criação de pastos, são, também, um agravante para a liberação de gases e para que as terras se tornem improdutivas.
Além de todos esses danos diretos, o consumo de carne também é responsável pelo incentivo de uma cultura de desperdício. A pecuária precisa se autoalimentar para existir, portanto, nessa lógica, metade de toda proteína produzida no mundo acaba sendo usada como ração. Especificamente, no Brasil, esse número é ainda maior, chegando a 79%, enquanto apenas 16% é destinada à alimentação humana.
Desta forma, vacas, porcos e galinhas acabam consumindo muito mais alimentos do que são capazes de fornecer. A Sociedade Vegetariana Brasileira ressalta que as plantas são captadoras naturais de energia solar, transformando-a em energia comestível (química). Animais, ao contrário, precisam extrair a energia dos ecossistemas. Além disso, a maior parte da energia ingerida (em média 90%) não é transformada em carne (mas usada para o animal sobreviver, se locomover, manter a temperatura corpórea). A criação de animais para consumo representa, assim, um grande desperdício do ponto de vista energético.
Veja o seguinte dado: na produção de uma dieta carnívora utilizam-se 48.000 litros de água por dia. 2.400 litros diários seriam o suficiente para a produção de uma alimentação vegetariana. Isto porque na pecuária, a água é utilizada na irrigação dos grãos para ração, dessedentação dos animais, higienização das instalações e retirada de dejetos.
O gasto estimado para produzir 450g de proteína de carne é 16 vezes maior do que o necessário para produzir a mesma quantidade de proteína vegetal.
Estudos brasileiros apontam que em cada segundo, uma área florestal do tamanho de um campo de futebol é utilizada na produção de apenas 257 hambúrgueres de vaca.
Um boi precisa em média 3,5 hectares de terra para produzir 200 kg de carne, num período de quatro a cinco anos, em tanto, estima-se que na mesma área seja possível produzir, consoante ao tipo de cultura, cerca de: 19 toneladas de arroz; 32 de soja, 34 de milho, 23 de trigo e 8 de feijão, se pensarmos apenas numa colheita anual, sendo que nesta região são comuns duas a três colheitas por ano. Multiplique agora pelos 4/5 anos que precisa um boi.
200 kg de carne de um boi dariam de comer uma vez a umas 1.000 pessoas (200 gramas por pessoa). Já 76 toneladas de arroz (19 x 4 anos) alcançariam para preparar um bem servido prato (125 gramas) para 608.000 pessoas. Se quiser, você pode fazer cálculos parecidos com a soja, o trigo, o feijão, etc. Enquanto isso, o mundo tem cerca de um bilhão de pessoas famintas.
Tendo em vista este cenário, a implantação de uma alimentação vegetariana ou vegana no planeta poderia ser uma forma de diminuir estrondosamente o número de pessoas em situação de fome extrema.
Quando a fome no mundo e o aumento da rentabilidade dos recursos terrestres se tomam cada vez mais sérios, a alimentação vegetariana surge como uma dieta rentável que pode contribuir para uma franca melhoria da situação.
Agora que você já conhece a relação entre vegetarianismo e meio ambiente, que tal começar a reduzir o consumo de carne em sua alimentação, melhorar assim sua saúde e fazer sua contribuição à segurança alimentar de todos nós? Talvez seja a hora de começar a experimentar, não acha? ✤
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Aprender a desfrutar dos prazeres de Zorba, o Grego
e da silênciosa serenidade de Gautama, o Buda.
-Osho-
➽ Nessa frase, que funde a brutalidade carnal e festiva de Zorba com a sutileza meditativa e transcendente do Buda, Osho sintetiza como é o jeito certo do homem ser e estar neste planeta. Conectado com o mundo invisível enquanto caminha pisando no chão.
Sincronizado com o fim dos tempos, ele anuncia a morte do homem velho, um ser que até agora nunca viveu verdadeiramente, de modo pleno e livre, por ter ficado numa prisão que acreditou ser um lar. A mente capturada numa teia de aranha de ideias e conceitos impostos a sangue e fogo, control tecnológico, pensamento único.
Por isso, Osho nos lembra que levamos padecendo um inferno de mais de três mil anos de guerras, enquanto somente de vez em quando um Buda tem florescido. Algo fundamental deve ter saído errado.
O mestre indiano entende que o erro crasso é o homem ter vivido num campo de batalha entre o material e o espiritual, entre o bem e o mal, entre Deus e o diabo, entre o baixo e o alto, entre isto e aquilo. Sempre dividido em duas opções, onde, claro, uma delas era chamada de inimigo.
Ele denuncia a existência de uma intenção nisso: para destruir o poder do homem, tem sido usada a grande estratégia da divisão. O homem tem sido pressionado a escolher entre ser um materialista ou ser um espiritualista. Disseram ao homem que ele não pode ser ambos.
E essa tem sido a causa raiz da miséria humana, afirma. Um homem dividido contra si mesmo irá permanecer no inferno. O paraíso nasce quando o homem não está mais dividido contra si mesmo. A divisão do homem significa miséria e o homem integrado significa regozijo.
Sua mensagem é: criem um novo homem - não dividido, mas integrado, completo. Buda não é completo, nem Zorba o Grego. Ambos são metade e metade. Eu amo Zorba, amo Buda. Mas quando olho no âmago mais profundo de Zorba, algo está faltando: ele não tem alma. Quando olho dentro de Buda, novamente algo está faltando: ele não tem corpo.
Osho propõe um grande encontro entre Zorba e o Buda, uma nova síntese, que expressaria o encontro do céu com a terra, o encontro do visível com o invisível, o encontro de todas as polaridades: do homem com a mulher, do dia com a noite, do verão com o inverno, do sexo com o samadhi, do sagrado com o profano. Depois, as polaridades desaparecem uma na outra e os polos opostos se tornam complementares. Somente com esse encontro um novo homem surgirá na terra.
Osho entendeu a crise civilizatória que estamos atravessando como um desafio, uma oportunidade de criar o novo, um caos necessário para inventar um novo cosmos. Por isso, na contramão do mundo de degradações e espanto que nos revela diariamente o noticiário, ele declarava que somos afortunados de estar vivos nestes tempos críticos, vivendo numa das mais belas épocas, porque somente através do caos nascem as grandes estrelas. E essa é uma oportunidade que acontece somente de vez em quando - muito rara.
O mestre traduz a simbiose de Zorba o Buda, descrevendo ao novo ser humano como um místico, um poeta, um cientista, tudo junto. Ele não irá olhar para a vida através das velhas divisões corroídas. Ele será um místico pois ele irá sentir a presença de Deus. Ele será um poeta pois ele irá celebrar a presença de Deus. E ele será um cientista pois ele irá pesquisar essa presença através da metodologia científica. Quando um homem for todos os três reunidos, o homem estará completo.
Osho visualiza um ser humano sem condicionamentos ideológicos ou morais, que apreciará a vida através da consciência, da percepção, da espontaneidade, da criatividade. Um ser aberto e honesto. Transparente, real, autêntico. Que não irá viver perseguindo metas, mas experimentando tudo no aqui e agora. Ele conhecerá apenas um tempo, agora, e apenas um espaço, aqui. E através dessa presença, ele conhecerá o que Deus é.
Este é -diz- meu conceito de um homem santo.
É assim que Osho nos descobre a existência de uma oportunidade para criar um novo ser humano. E para criar um novo ser você tem que começar com você mesmo. Você pode ser Zorba o Buda. Um homem, uma mulher, íntegros, na completude total de seu yin e seu yang. Acatando na carne o mandato divino de sua alma.
O planeta e a humanidade ainda passarão por baitas chacoalhadas, mas o novo ser humano já é uma semente estelar da qual irá florescer o novo mundo.
A florescer-se, então, a florescer-se. ✤
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| O samba é o pai do prazer, o samba é o filho da dor, o grande poder transformador. - Caetano Veloso - |
➽ O transe pelo qual está passando o planeta, a humanidade e demais espécies vivas tem, obvio, suas réplicas no Brasil. E por aqui também vai acabar com tudo aquilo do velho mundo que não seja genuíno, legítimo, autêntico, original. É a transição planetária, o fim dos tempos, o amanhecer de uma nova era, nos puxando para uma outra dimensão, outra vibração, mais elevada, mais digna, pedindo para nos livrar de tudo o que há de ruim em cada um de nós e acender nossa luz sanadora e liberadora. É o tempo da verdade, quando tudo será revelado. E tudo o que não for verdadeiro vai se desmanchar no ar. Como disse Elza Soares: fora tudo aquilo que não presta.
Entre as coisas que nos sobreviverão, sem dúvida, estará o samba. Essa genial criação brasileira morta tantas vezes e tantas vezes ressuscitada, pela simples razão de estar bem abrigada na alma do povo.
Se, como insiste em deixar constância Chico Buarque, o brasileiro é mesmo fruto da miscigenação entre o índio, o português e o negro ("eu sou uma mistura disso tudo", se orgulha Chico), foi o africano quem acabou dando o tom predominante da alma brasileira. Mundo afora, o Brasil é enxergado como um país de negros, seja para admirar ou, mesmo, para degradar. Não são as Xuxas nem as Giseles Bündchen as impressões digitais do país tropi, mas o DNA dos Pelé, Ronaldinho, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Machado de Assis, Mãe Menininha, Arthur Bispo do Rosário, Pixinguinha, Milton Santos, Zumbi dos Palmares, Ilê Aiyê, e por aí vai.
Língua, religião, culinária, literatura, arte, dança, esporte, comportamentos e, claro, a música, foram permeados, influenciados e determinados por aquele fluxo de energia astral que os africanos escravizados trouxeram nos navios negreiros. Isso era toda sua bagagem, mas tudo isso tinha um peso tão transcendente que acabou definindo os rasgos mais fortes da alma brazuca.
Nesses navios de carga, espremidos nos porões superlotados, homens, mulheres, crianças, velhos, cantavam o tempo todo, para espantar a morte, para mitigar a sorte. Os escravos vieram cantando para o Brasil e desceram na terra nova, cantando.
Saídos de diversas paisagens e tribos africanas, os cantos e as danças, festivos uns, religiosos outros, ritualísticos e alegres todos, foram se misturando. E foi a cavalo dessa música que, como nos cantou Caetano e nos contou Joaquim Nabuco, "a escravidão espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade, insuflando no país sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor, suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte…”.
A mistura dessa musicalidade africana começou a ensaiar-se nas festas -muitas vezes clandestinas- onde o negro descontava a dilacerante experiência da escravidão cantando e dançando jubilosamente, no júbilo de estar vivo, de possuir uma voz, de afirmar-se na existência dizendo pro céu ainda estou aqui.
Assim foram nascendo as rodas de batucadas, derivadas em rodas de samba na Bahia, que sentaram uma base rítmica, que depois, no Estácio, em Rio de Janeiro, mestres iluminados acabaram de aprimorar para criar uma identidade plena.
A transformação do samba em música nacional não foi um acontecimento repentino, mas o coroamento de uma tradição secular de contatos entre vários grupos sociais na tentativa de inventar a identidade e a cultura popular brasileira.
Assim, como escreveu Jorge Caldeira, aquele samba inscrito em seu projeto de trânsito pela sociedade, se converteu "no ritmo oficial da pátria, e como tal, passou a ter história. Só que uma história na qual o passado é refeito em função do presente". Transformação.
Tulio Ceci Villaça, estudioso e observador perspicaz da nossa musicalidade, tem escrito em seu blog Sobre a Canção o seguinte: "Lembrei de uma frase que Jackson do Pandeiro gostava de repetir: tudo é coco. E quando ele tinha de definir o coco, dizia: é samba. Pode parecer um reducionismo tremendo, mas o fato é que funcionava na prática… Para ele, baião, xaxado, xote, quadrilha, e diversos outros ritmos, todos, de maneira diferente, eram samba".
Jackson do Pandeiro (1929-1982) é um paraibano que começou tocando coco e forró. Mas quando chegou ao Rio de Janeiro, percebeu que as rádios, os produtores, o público pediam samba. "É samba que eles querem, todo mundo vai de samba, a pedida é sempre samba". A partir do samba, ele tocou e cantou ritmos de temperos diversos, mas sempre com gosto de samba.
E a pedida geral encontrou sua maior resposta via Rádio Nacional, que espalhou por todo o território a inconfundível batida do samba. Assim, a essência do samba acabou permeando ritmos, gingas, costumes, linguagens, cheiros, sabores, sentires e pensares. Hoje, você vai encontrar um Clube do Samba em qualquer estado do Brasil.
Talvez essa música tão singular seja o maior legado do negro africano e sua descendência brasileira, que deram de presente para todo mundo usufruir. O regocijo por cantar e dançar samba é algo que vai além da cor da pele, além da carioquice, e até mesmo, de cantar e dançar.
Trata-se de uma energia transcendente que está nascendo e renascendo o tempo todo, se reinventando sem pudor, exercendo esse seu grande poder transformador. Não apenas para os negros, mas para todo mundo, para todos nós que hoje transitamos pelos cantos, por vezes escuros, outras vezes luminosos desse sanatório geral em que virou a Terra, no fim dos tempos, onde e quando devemos encontrar as medicinas para a sanação de nossa alma.
Por ser esse diamante verdadeiro, que sobreviverá por longo tempo, o samba pode ser um dos grandes remédios. E a vida vir a ser o mais perfeito carnaval. Saravá. ✤
AR 🌻
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| Si he perdido la vida, el tiempo, todo lo que tiré, como un anillo al agua, si he perdido la voz en la maleza, me queda la palabra. - Blas Otero - |
➽ Tudo se esfarelava numa explosão inédita e sem fim. Deus chorava aos prantos, sem consolo, feito uma criança abandonada no meio do nada.
Com pés de veludo, Deus - o Deus de Deus - chegou a seu lado, suave, compassivo, fraterno:
- ¿Por que choras?
Ainda aturdido, quase afogado em um mar de lágrimas e babas, Deus alcançou a balbuciar:
- O Big Bang, senhor, o Big Bang...
- Eu sei, eu sei, mas... ¿o que tem o Big Bang?
- Um tempo incalculável de duro trabalho, senhor... E tudo, tudo foi pro espaço... A gente perdeu tudo, senhor, absolutamente tudo...
- Tudo, não. Ainda tens a palavra. Vai, ordene o caos. Você ainda tem um poder, use-o.
Deus - o Deus de Deus - não falou mais nada. Deu um tapinha encorajador nas costas de Deus, ensaiou uma piscadinha cúmplice e assim como tinha aparecido, sumiu.
Dizem que Deus hesitou uma eternidade. Porém, ao cair de uma tarde de ensurdecedor silêncio, ele se reergueu. Lavou seu rosto, respirou fundo e mergulhou lentamente nas sombras da escuridão.
Caminhava às cegas, apenas com um fio de fé. Quando sentiu haver chegado ao negrume do espaço sideral, parou. Titubeava. Mas, afinal tomou coragem, invocou a seu Deus e, com o coração na boca, exclamou: faça-se a luz! E a luz se fez.
Então, ele soube que a palavra iluminava. ✤
AR 🌻
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia mais doce da vida
Na mesa dos homens de vida vazia
Mas, vida, ali, quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida nos cantos, na pia
Na casa dos homens de vida vadia
Mas, vida, ali, quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida, nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens de olhos sombrios
Mas, vida, ali eu sei que fui feliz
Luz, quero luz
Sei que além das cortinas
são palcos azuis
E infinitas cortinas
com palcos atrás
Arranca vida, estufa a veia
E pulsa, pulsa, pulsa, pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca vida, estufa a vela
Me leva, leva longe, longe, leva mais..
Luz, quero luz... mais, quero mais...
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