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| Feminizar o ser humano é condição para pôr fim ao trágico paradigma do patriarcado e abrir caminho a uma civilização mais evoluída, igualitária e fraterna. |
➽ Em vez de ser o patriarcado uma das marcas destacadas no sistema dominante ao longo da civilização humana, poderia ter sido o matriarcado. E aí, com as particularidades do feminino como elementos prevalecentes, as consequências negativas teriam resultado mais ou menos as mesmas. Algo assim como um patriarcado de saias.
Porque toda metade entendida como um todo é mera burrice. Sempre será uma parcialidade hegemônica que pressiona para tirar a outra do jogo. E, com isso, o jogo se desnaturaliza e o sentido do mesmo se extravia. Como numa partida de futebol na qual jogasse um time só.
A civilização que hoje transita o sobe-e-desce de sua crise terminal resultou num fiasco porque, dentre outras causas, tentou fazer sua longa caminhada prescindindo de uma de suas pernas, a feminina. Negando uma das partes vitais da unidade, acabou negando a humanidade por inteira e, pior, emperrou de vez o projeto evolutivo sediado na Terra.
Tudo o que existe no Universo tem masculinidade e feminilidade por partes iguais. Masculino e femenino fazem parte do princípio básico composto pelas energias que o taoísmo e a filosofia chinesa chamam de Yin-Yang.
No símbolo deste, chamado Taijitu, um círculo dividido em duas partes, o Yin é a parte preta e nomeia a escuridão, a terra, a passividade, a absorção e também o princípio sagrado feminino. A parte branca é o Yang, a luz, o céu, a atividade, a penetração, o princípio sagrado masculino.
São duas energias opostas e, ao mesmo tempo, complementares. Mas só podem funcionar em plenitude com um terceiro ator, o elemento neutro ou o ponto de equilíbrio absoluto, representado pela linha divisória em forma de "S", que separa e une, simultaneamente, o Ying e o Yang.
Essa linha curva expressa o fluxo constante entre as duas forças. Os pequenos pontos de cores opostas (o ponto branco no preto e o preto no branco) mostram que um elemento sempre carrega a semente do outro, um condimento do contrário que tempera o sabor de cada um.
Yin e Yang não existem por separado, sempre caminham juntos. São como a lua com seu lado iluminado e seu lado escuro, duas partes de uma mesma unidade. Os dois interdependem, se expandem, se contraem, se influenciam, vão alternando seu protagonismo.
A dança dos átomos, moléculas, partículas é a mesma que bota no baile o Yin-Yang, princípios que estão em constante movimento, fluindo em si e se encontrando um com o outro como as águas do mar se encontram com as águas de um rio, num vai-e-vêm permanente, onde agora tem predominância um, mas, depois, será a vez do outro, dependendo de nossas marés, nossos estados de calmaria e tormentas pessoais, das circunstâncias e necessidades da vida.
Na mulher predomina o Yin e no homem o Yang, mas ambos têm elementos do contrário e usam essa energia para ações determinadas. A mulher (Yin) que troca o botijão de gás, descasca um coco com faca ou chuta uma bola pro gol faz tudo isso com sua própria porção de energia Yang. O homem (Yang) que bota o bebê no colo e o acalenta ou acaricia ternamente o rosto apergaminhado de sua vovó, o faz com sua parte Yin.
Também acontece que há mulheres que, dentro do Yin que as define, contêm um Yang muito forte. Elas são de muita ação, muito ativas e expansivas e até participam intensamente nas atividades onde predominam homens, forças masculinas. Mas fazem isso sem perder em absoluto sua condição claramente feminina.
Enfrente, podemos encontrar homens com jeito Yin, mais receptivos, mais amplos, mais suaves, mais lentos, porém, sempre mantendo seu claro perfil masculino determinado por seu Yang.
Tudo isso é válido também para os casos de transsexualidade, onde as energias Yin-Yang operam exatamente da mesma forma.
Nessa configuração energética, partindo de signos opostos, a relação entre o homem e a mulher está chamada a se complementar e fazer do vínculo uma sinergia rica, poderosa e transformadora, associando seus respectivos Yin e Yang e potenciando-os.
Machos e fêmeas são duas expressões equivalentes de uma mesma espécie, tendo exatamente a mesma importância e valia no projeto evolutivo que vieram a experimentar. Cada um deles resulta imprescindível para o outro. Não é opinião, interpretação ou conceito moral, é o que é, organização cósmica das energias que se movimentam, jogam, interatuam nesse sentido antes mesmo da Terra existir. Se alguma das partes predomina de manera persistente na outra acontece um desequilíbrio que desnaturaliza, deturpa e corrompe essa organização, negativizando toda e qualquer experiência.
Mas não foi isso o que as forças ocultas e dominantes do planeta atenderam quando, uns 6.000 anos atrás, começaram a prefigurar o que conhecemos como civilização humana.
O patriarcado começou a dar seus primeiros passos ao redor do ano 3100 a.C. Por então, já o pênis tinha se tornado o objeto natural de adoração e fé religiosa. O homem considerava que seu sêmen era o maior poder, pois dele dependia a criação de novos seres. O culto ao falo se tornou universal. E a ideia de superioridade do homem e a inferioridade da mulher se instalou nas mais diversas sociedades.
Mas a estruturação do patriarcado levou um longo tempo de aproximadamente uns 2500 anos, até 600 a.C. E foi assim porque não foi apenas um exercício de poder dos homens sobre as mulheres, mas a configuração dos rasgos primordiais de toda uma civilização cujas fórmulas organizacionais e relações de poder chegam até os dias de hoje. A história do patriarcado e o que chamamos de história da humanidade se confundem porque esta se desenrolou em cima da matriz daquele.
O patriarcado é uma organização social baseada no poder do pai, onde a descendência e o parentesco seguem a linha masculina. As mulheres são consideradas inferiores aos homens, criaturas "de cabelos longos e ideias curtas", como diria A. Schopenhauer. Considerados seres betas, de segunda categoria, são subordinadas à dominação do macho alfa a quem devem serventia.
Nessa diferenciação sexual, a ideologia patriarcal dividiu a humanidade em duas metades: superior/inferior, dominador/dominado. Mas essa divisão depois se estendeu além dos sexos. Com o apoio da religião e até da ciência, a lógica patriarcal foi a base da organização política e social das sociedades.
A mentalidade de dominação não se aplicou apenas à mulher, mas também se estendeu em relação a homens mais fracos, raças, etnias, natureza em geral e nações - que passaram a chamar-se de pátria. E hoje é praticada também por mulheres que participam dos esquemas de poder usando a mesma lógica ou, mesmo oprimidas, clamam pela manutenção de valores conservadores.
Na verdade, trata-se de uma mentalidade não específica de um gênero, mas um paradigma capaz de corromper qualquer pessoa, independente das características de seus órgãos genitais e energias primordiais.
A mentalidade patriarcal não é uma expressão masculina, mas uma degeneração dessa natureza. É um complexo de insensibilidade, excessos, voracidade, medo do outro, irracionalidade, violência, paixão pela autoridade, supervalorização do ego, consciência isolada.
Abraçada a sua parcialidade Yang e desprezando e abafando o Yin, denota a perda de contato com uma identidade mais ampla, mais profunda, mais completa do ser. E se manifesta nas relações de domínio, submissão e dependência como meios de controle.
Rígida, normativa, autoritária, a mente patriarcal é isso que estamos assistindo no mundo nessa hora dramática: a busca insaciável de resultados e ganhos no curto prazo, na prática de seu credo maior, a competitividade egoica - que depois vira em confrontação e, afinal, em guerra. Isso se reproduz e se expande como um vírus em quase todos os âmbitos da vida.
É com esse paradigma que tem se construído a sociedade humana, empurrando-a para um beco sem saída. E por não ter por onde continuar seu desenvolvimento, o sistema há encontrado seu limite final. Suas bases e estruturas vão rachando, o andamiaje estaleja e, aos poucos, tudo começará a desabar.
Uma ordem de domínio mundial incapaz de dar, no mínimo, água, comida, teto, abrigo e amparo afetivo a todos os habitantes do espaço que controla, evidentemente, há fracassado. E deverá ser trocado por outro paradigma, por outro sistema. O atual é pura energia Yang, masculina, e deve ser recalibrado com a expansão da energia Yin, feminina.
O que hoje temos no mundo é apenas um simulacro de organização civilizatória. Não tem mais ordem, ela caducou. Faz parte do denominado fim dos tempos que revela a fase final da civilização materialista /competitiva /produtivista /consumista /machista. O fatal desmanche dessa maquinária produz um crescente caos que se pretende abafar elevando a dose da energia Yang.
Donald Trump é um personagem arquétipo dessa tendência que joga gasolina no fogo. No desespero de assistir ao desmoronamento do sistema dominante ao qual pertence e atestando a caducidade das ideias que lhe davam suporte, ele decide driblar qualquer racionalidade e partir para a guerra, seja econômica, militar, dialética. O que consegue? Mais caos ainda.
Porém, Trump não é um caso isolado, um maluco solto. Como arquétipo, ele aparece como um modelo universal de comportamento, símbolos e narrativas que residem no inconsciente coletivo, moldando a percepção humana e atuando como padrões atemporais.
Ele é uma expressão emergente de sentimentos, pensamentos, desejos que vibram energéticamente na mente e na alma dos humanos e, sobretudo, dos homens-machos. Eles foram manipulados e instruídos para a competitividade, a violência, a confrontação, a guerra. O homem não olha a seu semelhante como uma oportunidade mas como uma ameaça, um perigo; não como um potencial amigo mas como um provável inimigo.
Sua conduta tem sua tradução na vida cotidiana das pessoas em todo canto e lugar, derivando em múltiplas irracionalidades e atos de violência nos lares, na rua, na escola, no trânsito, no futebol e por aí vai.
Como o signo talvez mais expressivo do fim dos tempos, em paralelo com atitudes e comportamentos luminosos e iluminadores que prenunciam novos dias, os aspectos mais densos e escuros dos seres humanos estão vindo à tona, revelando as chagas que ainda precisam ser curadas.
Se para mostra basta um botão, podemos colocar aqui o seguinte caso: no passado mês de fevereiro de 2026, a soldado da Polícia Militar de São Paulo (Brasil), Gisele Alves Santana (32) foi assassinada por seu marido, o tenente-coronel, da mesma instituição, Geraldo Leite Rosa Neto (53).
Poderia ser mais um caso de feminicídio, porém, o mais interessante para o tema que tratamos aqui surge da investigação que dá conta das mensagens por celular enviadas por Geraldo no processo de dissolução do vínculo - o que não era aceito por ele.
Essas mensagens são um verdadeiro retrato das graves consequências que tem o impacto do pensamento patriarcal na cabeça dos homens. Ele escreve e manda para ela o seguinte: "Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa - Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser".
E acrescenta: "Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido. E não na rua, caçando assunto. Rua é lugar de mulher solteira à procura de macho".
Para fundamentar seu pensamento, ele atesta: "Sou mais que um príncipe, Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano".
Patético, sim. Mas acontece que a maioria desses modos sombrios, patológicos, desprezíveis, como seus argumentos, valores e hábitos, foram elaborados ao longo de milênios, e fizeram ninho no mais profundo da alma humana. Tidos como verdades absolutas, funcionam em piloto automático, normalizado, naturalizado.
Hoje vivenciamos um ambiente social asfixiante e tóxico marcado pelo excesso da energia Yang. Muito macho, testosterona demais, ação demais, muita dureza, muita geometria, tudo é competitivide.
Você não vai conseguir fazer um feijãozinho apenas com os grãos duros do feijão. Porém, combinando este com a moleza da água, já está feita a sociedade básica, o acordo essencial. O resto é tempero, capricho, mão.
A pedra dura da vida atual, regida pelo espírito macho, está precisando desesperadamente da água mole da parte feminina das almas.
Não se trata apenas de maior participação da mulher na vida da sociedade. Claro que isso é indispensável, faz parte da expansão que irá equilibrando o protagonismo de ambos os sexos, especialmente na vida pública. Porém, se isso é necessário, por si só não resolve.
O que se faz imprescindível é mudar essa mentalidade machista, predominante nos homens, mas também compartilhada por muitas mulheres que desejam participar das vantagens do status quo.
A base dessa mudança é a feminização da humanidade em geral, que não é converter a humanidade numa espécie apenas feminina ou afeminada, pois seria como atirar e o tiro sair pela culatra, dando no mesmo, só que do outro lado da moeda.
A questão é o equilíbrio. O ser humano já é masculino demais, agora precisa ser mais feminino para compensar assim o excedente masculino e conseguir completar-se a si mesmo, para poder criar, em si próprio, um novo projeto de pessoa, de maior qualidade funcional e expressão espiritual.
O mundo precisa de um ser mais sensível, mais intuitivo, mais amplo, mais blando, mais receptivo, mais colaborativo, mais curvo, mais úmido, mais floral, mais fresco.
Somente se utilizarmos esses temperos poderemos cozinhar o baião de dois feminino/masculino que precisamos para alimentar o sonho de uma civilização nova, sem donos nem hegemonias, mas horizontal, mais transversal, mais abrangente e acolhedora.
Transformar o mundo moribundo numa nova expressão civilizatória da Terra, exige feminizar o novo mundo a nascer. Ou seja, criar uma masculinidade mais completa, que incorpore e expresse espontaneamente sua parte feminina. E promover uma feminilidade liberada dos estereótipos masculinos da sociedade patriarcal, tanto para fazer da mulher um projeto mais autêntico como para ensaiar uma relação mais harmônica com seus pares machos.
Por carregar a energia feminina primordial, o sagrado feminino, nesse processo de feminização é óbvio que as mulheres estão para cumprir um papel chave. Mas não é uma tarefa exclusiva da mulher como tampouco é excludente.
Não será afastando os homens dessa responsabilidade e ainda menos mantendo uma guerra contra o sexo masculino que iremos conseguir feminizar a sociedade. Nem será uma cruzada machofóbica o fator decisivo para salvar as virtudes da espécie e projetar um futuro de harmonia, beleza e amor.
Tampouco resultará eficaz a criação de guetos culturais ou espirituais onde se atrincheirem as mulheres em estado de guerra.
Na primeira instância do processo de reconhecimento e afirmação que estão experimentando os humanos-fêmeas, pode resultar positivo um exercício de congregação entre semelhantes, pois desse jeito se multiplicam energias, reflexões, vontades. Porém, traçar uma linha de fronteira com os humanos-machos, como incentivam muitos grupos do movimento feminista, pode acabar sendo contraproducente.
Isso gera, de maneira automática, uma rejeição do campo masculino e um isolamento que faz das reivindicações das mulheres uma questão setorial, onde aparece aquele clichê bobo "ahh, isso é coisa de mulher", quando, na verdade, os temas em debate afetam a sociedade em seu conjunto, independentemente do gênero.
Sem perder a combatividade nem os exercícios catárticos dos movimentos feministas das últimas décadas, faz-se aconselhável que as mulheres não percam seus signos de identidade na hora da ação. Porque é com suas características Yin que elas podem propiciar a mudança que pede a incorporação e prática de energias Yin. Operar desde a própria energia resulta sempre mais natural, mais leve, mais fácil, mais convincente, mais eficiente.
Depois do gatilho disparador dos gritos, das palavras de ordem, dos seios à mostra, dos corpos pelados, é preciso apelar para a paciência persuasiva, a fundamentação das posições, os exemplos argumentativos, numa onda cultural e diversa que evidencie as vantagens que um processo de feminização pode trazer também para liberar os homens e, por ende, resultar benéfico para a humanidade em geral.
Hoje os ventos sopram a favor da mudança e nessa corrente é que se faz possível surfar os entraves das consciências estreitas, incentivando os machos a serem partícipes necessários dessa luminosa guinada para, afinal, caminhar juntos, de mãos dadas, pela larga e novedosa avenida da transformação de nossa sociedade.
Se as mulheres são, por sua própria energia Yin, atores imprescindíveis nessa empreitada, os homens são quem deverão virar a chave e fazer o trabalho decisivo e mais profundo.
Quando falamos de um homem mais feminino não estamos falando de sexo. Assim como não se trata apenas de uma maior participação da mulher na vida social, tampouco se trata de uma conversão massiva dos homens héteros em gays. Até porque muito gay pensa, sente e se comporta com mentalidade patriarcal.
Trata-se de libertação. O patriarcado dividiu a humanidade em duas partes e enfrentou homens e mulheres propositalmente. Numa operação de controle mental, homens e mulheres foram submetidos a um paradigma que acabou desvirtuando a configuração energética-espiritual e bloqueando as potências de ambos os sexos. Essas potências, com sua enorme carga de possibilidades, precisam ser liberadas.
Passados seis milênios nos quais os avanços tecnológicos pouco serviram a uma evolução da consciência, enquanto as elites dominantes botaram a humanidade em risco de extinção, se faz vital que o humano-macho encare uma profunda reconfiguração do seu próprio ser. Já não voltando às origens que o patriarcado deturpou e sim se entregando ao fluxo re-evolucionário de um novo tempo, fecundando uma outra masculinidade.
Nas décadas de 1970/1980, homens corajosos e angelicais colocaram as primeiras sementes da reflexão e debate em torno de uma nova masculinidade, promovendo a reinvenção dos tradicionais e estereotipados papéis masculinos.
De lá para cá, o avanço foi importante em termos qualitativos, de estudos, análise e pesquisas, porém, as dificuldades em abrir espaços significativos de um ativismo massivo - como conseguiu o movimento feminista - foram evidentes. Acontece que os homens não estão muito interessados na igualdade. Por mais agradável que seja, preferem ter vantagens. E nesse sistema, eles sempre tiveram e têm vantagens sobre a mulher.
Com os homens botando um pé atrás, os personagens, intelectuais e grupos sociais que propiciam uma nova masculinidade realizam uma tarefa árdua na desconstrução de papéis tradicionais de gênero e na superação de comportamentos nocivos associados à masculinidade tóxica.
Eles incentivam o público masculino a adotar posturas baseadas na vulnerabilidade, inteligência emocional e corresponsabilidade, buscando relações mais equitativas com as mulheres.
Prezam pela liberdade para demonstrar sentimentos, medos e inseguranças sem o risco de ter a virilidade questionada, chamando os homens a expressarem sentimentos, desconstruindo a ideia falsa de que sensibilidade é uma fraqueza.
O conceito de nova masculinidade preconiza também:
- Envolvimento direto e afetivo no cuidado diário e na criação dos filhos, indo além do papel exclusivo de provedor financeiro.
- Divisão justa e compartilhada das tarefas da casa.
- Abandono de comportamentos agressivos que historicamente pautavam a validação do homem perante a sociedade.
- Construção de vínculos afetivos e familiares mais profundos, baseados na empatia e diálogo.
- Diminuição dos índices de violência de gênero decorrentes do machismo estrutural.
Como pode se apreciar, é muita areia para o caminhãozinho de qualquer macho criado e educado nos valores do patriarcado, como é o caso da imensa maioria.
Deve-se compreender que o salto quântico dado pela mulher no plano social e a aparição de ideias e organizações masculinas questionando a velha ordem patriarcal é um tapa na cara da maioria dos homens, que acham isso tudo como uma violação da ética social e um insulto aos bons costumes da sociedade que herdaram de seus tataravós.
Se faz necessário entender quanto de profunda a mentalidade patriarcal está enraizada na cabeça e na alma dos homens, como se fosse uma expressão mesma da sua natureza.
Por isso, eles estão apavorados, temendo perder suas condições básicas, seu espaço, seu protagonismo e identidade, sentindo ameaçado seu modo de estar no mundo. E quando o medo do desconhecido aparece, a reação típica do ser humano é se prender ainda com mais força àquilo que lhe é conhecido.
Estamos caminhando em cima dessa linha de ruptura. Quando uma massa crítica de homens tiver ampliado sua consciência, sendo capazes de enxergar o todo e não apenas uma mera parcialidade, a ruptura definitiva se produzirá e abrirá caminhos a uma nova era.
“O desafio deste século deve ser construir um novo modelo social mais democrático, justo e igualitário, e para isso, é fundamental que os homens estejam cada vez mais dispostos a questionar o modelo tradicional de masculinidade, a renunciar aos privilégios que recebem do sistema patriarcal, a se libertar do peso de uma masculinidade mal entendida e a se comprometer, junto com as mulheres, de maneira ativa, na realização de um mundo melhor para todas as pessoas, que permita melhorar as possibilidades do desenvolvimento humano”.
Isso foi escrito, em 2011, por Ritxar Bacete, um antropólogo especialista em igualdade de gênero que defende uma sociedade na qual homens e mulheres compartilhem responsabilidades e poder por partes iguais.
Promover um humano mais feminino não é um reclamo de saia e salto alto, mas uma necessidade, um compromisso e uma tarefa a ser assumida por todos. No final das contas, todas essas denominações que diferenciam sexos e gêneros irão sumir. Surgirá um humano mais integrado, mais total, um ser mais andrógino, carregando por igual as energias do Yin/feminino e do Yang/masculino.
Mesmo sem aparecer no noticiário, múltiplas experiências baseadas na propagação da energia Yin estão brindando novas cores à vida mundo afora. E as pessoas precisam se alinhar com esse fluxo, abrindo as torneiras de sua própria energia Yin, replicando a vibração do feminino, do olhar feminino, do jeito de sentir feminino, experimentar o feminino, com a curiosidade das crianças.
Isso criará as condições para ir desenvolvendo entre os humanos uma nova feminilidade - mais espontânea, livre, original e legítima - e dar lugar a uma nova masculinidade - mais pacífica, empática, inclusiva, holística -, reivindicando o melhor do feminino e o melhor do masculino que cada um carrega em si, para tecer a rede de sustentação e evolução da espécie. Esta vez, sem pátrias nem mátrias castradoras e limitantes, mas organizados em inclusivas, luminosas e potentes frátrias. ✤
AR 🌻


