Salve, Jorge!... Contra fel, molestia e crime

By Alú Rochya - abril 23, 2026

Quem é devoto é só fazer uma oração
Que o guerreiro sempre atende
Dando a sua proteção

➽ O aço da lança ainda estava frio quando os primeiros raios de sol tocaram o horizonte. Jorge não sentia o peso da armadura; para ele, o metal era como uma segunda pele, moldada não por ferreiros, mas por promessas. Ele não montava apenas um cavalo branco, ele conduzia a esperança de quem já não tinha mais voz.

Diziam que, no vale além das montanhas, uma sombra antiga devorava a coragem dos homens. Chamavam-na de Dragão, mas Jorge sabia que o monstro tinha muitos nomes: o medo, a injustiça, o silêncio dos covardes.

Quando a besta rugiu, lançando chamas que escureceram o céu, o capitão da Capadócia não recuou. Ele não lutava por glória, mas porque o seu peito abrigava uma luz que nenhuma criatura das trevas poderia apagar.

Ao avançar, o galope de seu cavalo ecoava como um trovão sobre a terra seca. O confronto foi breve para os olhos, mas eterno para a alma. Com um golpe certeiro, a ponta da lança encontrou o coração do caos. O sangue da fera derramou-se, transformando-se, segundo os antigos, em rosas vermelhas que brotaram do chão.

Jorge limpou o suor da testa e olhou para o céu. Ele sabia que aquela não era a última batalha. Enquanto houvesse alguém perseguido, enquanto houvesse uma porta trancada pelo medo, ele estaria lá — vestido com as armas de Jorge, para que seus inimigos, tendo pés, não o alcançassem, e tendo olhos, não o vissem.

O guerreiro seguiu viagem, fundindo-se à luz daquela manhã, deixando para trás apenas o perfume das flores e a certeza de que a fé é o escudo mais impenetrável que existe.
 



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