Esse morto que não para de nascer

By Alú Rochya - outubro 09, 2020

E John não para de nscer


 ◢  Alú Rochya 

Salguma coisa faltava-lhe a John Lennon para coroar uma vida agitada, polêmica -e até cruel em certas passagens- era um final trágico. Aquela noite do 8 de dezembro de 1980, o mundo todo ficava estremecido com a inacreditável notícia. Em Nova Iorque, o mais irreverente e indomável dos Beatles era assassinado às portas do edifício Dakota, onde morava. Segundo conta a história que ficou oficializada, bem aí, em frente ao Central Park, quando voltava para casa, um cara chamado Mark David Chapman o encarou e, apontando-lhe com um revólver Smith & Wesson calibre 38, lhe descarregou, a queima roupa, 5 tiros. Foram 4 as balas que acertaram seu corpo mas nenhuma atingiu sua alma. E a tragédia lhe fez, definitivamente, imortal. 

40 anos antes, o dia 9 de outubro de 1940, John Winston Lennon dava seu ar de graça por este mundo. Escolheu descer em Liverpool, que tinha sido uma pacata vila de pescadores que com o tempo se transformou em um grande e próspero porto do Reino Unido, razão pela qual na segunda guerra mundial recebeu dos alemães terríveis ataques aéreos.

Desde então e até hoje aviões militares não param de lançar bombas em algum lugar do mundo mas, como compensação, Lennon não para de nascer. Seja no ponto que seja do planeta, cada dia alguém canta uma música sua; edita um vídeo resgatando sua imagem; mergulha na sua biografia. Aqui ou acolá, alguém bota no ar um programa especial de radio ou de tv; cita uma frase sua; compra um CD ou DVD com sua voz; veste uma camisa com o seu rosto; rascunha o roteiro de um documentário; ou, então, simples e anonimamente, deposita umas flores frescas no memorial do Central Park, rogando -como ele clamava-  por uma chance pra a paz. 

Na mais distantes aldeias  do globo relatam sobre ele histórias das quais foi protagonista exclusivo e outras nas que jamais participou. Umas e outras vão construindo o mito. De um modo ou outro, milhões de seres da mais variada idade, sem diferencia de etnia, cor, gênero, língua, crença ou ideologia se fazem parteiros virtuais, que dia após dia continuam a trazer a luz do espírito vital e expansivo de John Lennon, que não para de emitir suas ondas de amor e beleza.

John gostava de chacoalhar o corpo da humanidade, tirá-lo de sua letargia, dessa preguiçosa maneira de passar pelo planeta que tem os seres humanos, esse absurdo jeito de desperdiçar a irrepetível oportunidade de descobrir maravilhas e se descobrirem maravilhosos. Na verdade, ele era um xamã, um orixá-guia, um faro iluminando mentes e almas, convocando aos humanos a acordar, a despertar da sonolência suicida da inconsciência, a assumir a responsabilidade de cada um se fazer cargo de si próprio, de seu destino, de seus talentos, de seus poderes. Em definitiva, nos conclamava a encarar a bela tarefa de realizar a lenda pessoal.

Se olharmos nele apenas um grande músico ou um artista transgressor, rebelde, iconoclasta, o estaríamos fazendo com uma  visão míope, estreita, pobre. Em rigor, Lennon era um espírito altamente evoluído, enviado do além  para nos ajudar com sua obra em nossa própria evolução pessoal.

John, que hoje faria 80 anos dessa encarnação, pertence à linhagem espiritual das entidades que aqui foram conhecidas sob os nomes de Beethoven, Shakespeare, Mozart, Michelangelo, Leonardo da Vinci, Madre Tereza, Osho, Krishnamurti, Gandhi, Mandela, entre tantos outros. O mesmo que eles, John renasce cada dia com sua obra no coração de todos aqueles que procuramos -às vezes até com desespero- por mais luz, mais luz, mais luz em nosso caminho de aprendizagem e ascensão. 
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