A trapaça do sofrimento

By Alú Rochya - dezembro 17, 2025

É necessário sofrer?
Se o sofrimento realmente ensinasse
 o mundo estaria povoado de sábios.
- Sigmund Freud -

➽ Uma ordem mundial caminhando para sua dissolução vai fragmentando a realidade e sumindo o mundo no caos. A lógica consequência disso é tudo o contrário a um estado de paz. As profundas mudanças estimuladas pela tecnologia, a velocidade de transmissão das informações empilhando montanhas de verdades e mentiras, as incertezas sobre o futuro e a falta de estrutura das pessoas para processar e assimilar esse imenso pacote de dados, derivam em sofocantes estados de angústia.

Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam um dado alarmante: ansiedade e depressão afetam hoje quase um bilhão de indivíduos ao redor do mundo.

As ameaças, os perigos, as incertezas e as dores se multiplicam, configurando um panorama aflitivo, em que o sofrimento seria quase que lógico e inelutável. E acaba-se por normalizar o que não é nem pode ser uma norma: sofrer.

Não obstante, existe uma valorização intelectual e até um estímulo do sofrimento, como se fosse uma virtude humana, a descobrir, a conquistar.

Se você entrar no Google e pesquisar a palavra em questão, vai se deparar com uma boa quantidade de apreciações positivas:
o sofrimento é necessário
o sofrimento nunca é em vão
o sofrimento produz paciência
o sofrimento alimenta mais a sua coragem
o sofrimento é o megafone de Deus
o sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito
muito aprendeu quem bem conhece o sofrimento

Então, ¿seria mesmo que o sofrimento tem um sentido positivo? ¿Seria ele, porventura, uma ferramenta de evolução? ¿Acaso se faz necessário sofrer para alcançar a felicidade?

Alguma coisa parece estar torta nessa lógica de olhar para a vida dos humanos como seres condenados a andar carregando cruzes e, ainda por cima, achar isso um trunfo no caminho de seu desenvolvimento espiritual.

Por cima de filósofos, escritores e pensadores variopintos que reivindicaram o sofrimento como instrumento de superação do ser humano, foram as religiões quem estabeleceram robustos corpus de argumentação sacramentando o sofrer, apoiados em interpretações que vêm sendo ensaiadas desde os textos do Antigo Testamento até os dias atuais.

A Igreja Católica teve destaque nessa tarefa, reivindicando "o valor salvífico do sofrimento", sintetizado em seu maior fetiche: a imagem de um Cristo sangrante e moribundo cravejado numa cruz.

O papa João Paulo II, em sua Carta Apostólica Salvifici Dolores, afirmava que os que sofrem "foram chamados, de uma vez para sempre, a tornarem-se participantes dos sofrimentos de Cristo ao fim de completar com o próprio sofrimento o que falta aos sofrimentos desse Cristo".

Essa alegação é, no mínimo, suspeita, pois não parece fazer parte da mensagem de Jesus. Quando ele disse "O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei", acrescentou: "Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa". Quer dizer, nada de sofrimento.

Para a igreja evangélica, o sofrimento também seria um passaporte para a glória eterna (depois da morte, claro), interpretando que pode ser um motivador para o crescimento espiritual.

Dependendo do contexto, também  atúa como um teste de fidelidade, uma provação de fé para o crente que passa por aflições e dores, porém se mantém resiliente e firme em suas convicções.

Não apenas as igrejas evangélicas e católicas reivindicam esse tormento como uma escada para chegar aos paraísos celestiais. As outras vertentes da tradição judaico-cristã também interpretam o sofrimento como uma virtude.

O famoso rabino judeu ortodoxo Shneur Zalman de Liadi destacava-se por não ter papas na língua. Assim, ele sustentava, sem o menor rubor, que "é melhor para a pessoa sofrer, mesmo se for incapaz de servir a Deus adequadamente devido ao sofrimento... É até mesmo preferível para sua alma o que se fosse uma pessoa completamente justa, mas sem sofrimento". Traduzindo: o sofrimento é condição sine qua non para alcançar a salvação.

No marco da teologia, os acirrados enfrentamentos do prolongado conflito territorial árabe-israelense resultam enganosos, pois a magnitude desses desencontros não existe em matéria religiosa. O islamismo acha que "Deus aflige seus servos com sofrimento para moldá-los no tipo de pessoas que Ele quer que sejam".

Consideram que as pessoas que suportam o sofrimento com paciência e fé "podem desejar ter sofrido mais no mundo terreno, se soubessem a recompensa eterna reservada para elas após o Dia do Julgamento".

O hinduísmo, por sua vez, reivindica a carga do sofrer como uma consequência lógica para aquelas "almas que tiveram maus comportamentos em vidas passadas", devendo pagar seus pecados nesta vida, experimentando "tremendos sofrimentos". Alguma coisa assim como um castigo superlativo para aprender a se comportar.

Mistura de religião, filosofia, ciência e magia, a doutrina espírita não se exerce em templos de adoração, mas compartilha as visões de outras crenças na hora de interpretar o sofrimento.

Espíritas afirmam que a Terra é um lugar de expiação e provação. A expiação é um sofrimento em forma de castigo, supostamente para reparar uma culpa, enquanto a provação é um sofrimento que coloca à prova as convicções e a moral de um indivíduo. Assim, o sofrimento não é apenas inevitável, senão obrigatório no caminho de nossa evolução e ascensão ao encontro de Deus.

Esse parece ser o espírito do espírito das religiões: a Terra é um vale de lágrimas, estamos aqui para apanhar direito e, se aceitamos os padecimentos, após morrer e deixar o planeta, do outro lado do véu teremos uma vida maravilhosa, maravilha que até hoje ninguém sequer descreveu como é que funciona por aqueles pampas.


É necessário sofrer?
Para Frida Kahlo a vida não merecia ser entendida através de seu sofrimento físico.
E a arte era uma forma de transformar a dor em expressão artística.

Você tem uma ideia de como o planeta Terra é, né? Então, imagine por um momento o planeta sem seres humanos. Visualize as florestas, as montanhas, os rios, os mares, os lagos, as planícies, os animais, as flores, as frutas, as mudanças de estações, os dias de pleno sol, a chuva, os ventos, as cores, os cheiros, os sabores, e por aí vai. ¿Não é um lugar extraordinário? ¿Não é mesmo um paraíso?

Ora bem, ¿você acha que o ser humano seria colocado em um lugar desses para sofrer? ¿Lhe ofereceriam toda essa logística de apoio 5 estrelas com o sofrimento como finalidade?

¿Mas quem seriam esses estranhos deuses que teriam criado uma fórmula tão contraditória, esquisita e até perversa? Um paraíso para sofrer?

¿Você acha que a Fonte cósmica - chame-se Deus, Alá, Olorum, Natureza, Grande Espírito, Ser, Vida... —, origem de tudo, pletórica de sabedoria e desbordante de amor incondicional, iria avalar um experimento de tamanha crueldade?

Se as almas que chegam a um paraíso para experimentar uma intenção evolutiva quiserem se queimar com fogo para ver no que dá o teste, tudo bem, faz parte, são almas experienciando. Porém, não é da Fonte a condição de jogar uma alma ao fogaréu de um inferno geral.

A ideia original, o plano original, era fazer da Terra um centro de treinamentos que pudesse ser utilizado por almas ainda pouco desenvolvidas para encarar uma experiência evolutiva, num ambiente propício e amoroso, respeitando e acompanhando os tempos e os caminhos que escolheria cada alma com seu livre arbítrio.

¿Se o projeto era esse, por que as grandes religiões, supostos pilares do plano divino, têm feito do sofrimento uma via crucis inelutável para uma suposta salvação de nossa alma?

Muito antes da aparição das religiões, por razões diversas, aquele plano original para a evolução humana colapsou e forças espirituais que discordavam dele foram tomando o controle da Terra.

As regras do jogo baseadas no amor foram trocadas, interferiu-se no processo natural e as almas foram estimuladas a se alinhar em um sistema de competição entre elas.

Assim, as pessoas foram de uma cultura colaborativa e de confiança no próximo para o contrário. A ação humana passou a ser regida pelos verbos competir, disputar, confrontar, guerrear, matar.

O que antes era conduzido pelo amor agora é comandado pelo ódio ao outro e pelo medo do outro. O outrem, que era tido como outro eu, passou a ser um alien, um alguém alheio a mim e, portanto, uma ameaça, um potencial inimigo.

A competitividade - um elemento lúdico importante no desenvolvimento humano, quando laxa, leve, brincalhona - se transforma assim num bumerangue de proporções negativas incalculáveis.

Para isso, o sistema que passou a ser o dominante - em suas diversas expressões - deslocou o eixo do espiritual para a matéria, porque na matéria poderia funcionar melhor a competição, especialmente se botassem os seres humanos na disputa pela sobrevivência do corpo físico.

A vibração das pessoas nessas energias densas e negativadas reduziu a consciência delas, e isso permitiu criar uma teia inconsciente coletiva que derivou no controle mental da população por um sistema chamado de Matrix, a matriz do mecanismo dominante, onde seus dirigentes se alimentam da energia negativa.

Claro que a divindade não permitiria que o campo se fizesse orégano para os chefões desse projeto. Mestres, profetas, seres de luz, guias espirituais foram chegando à Terra e se multiplicaram pelo mundo afora, revelando a verdade.

Todos somos uma parte da Fonte e dessa energia positiva, compassiva e amorosa. Ninguém precisava ter medo pela sobrevivência, pois o planeta era - ainda é -abundante demais, e era assim para permitir que todo mundo atendesse seu plano pessoal de evolução, único sentido de sua presença neste plano.

Essa verdade encontrou eco crescente nas pessoas porque ressoava em seus corações e impulsionava correntes espirituais alternativas que, de maneira explícita ou implícita, contestavam a ordem geral. Foi aí que apareceram as religiões, as igrejas, que, no fim das contas, não são outra coisa que uma invenção da própria Matrix, que estimulou a criação de instituições de contenção, tomando a verdade dos mestres, mas distorcendo ela.

De tal modo, com lideranças que respondiam à Matrix, as religiões foram colocadas ao serviço do establishment, usando-as também para a estruturação da educação e o controle da família. A finalidade era apagar qualquer gesto de rebeldia e domesticar aqueles que tinham achado a luz que iluminava a verdade. Preservando o modelo de confrontação, cruel, doloroso, que, inevitavelmente, provoca sofrimento.

Se fazia isso - e continúa a se fazer - sob os ditados de uma regra implacável: o fim justifica os meios. Talvez a prova mais evidente seja a Inquisição, ou Santo Ofício, uma infame organização de tribunais da Igreja Católica instituída no século XIII (1231) na Europa para perseguir, julgar e punir heresias que ameaçavam a manipulada e inverídica doutrina cristã.

Para combater católicos divergentes, judeus e muçulmanos convertidos ao catolicismo, como também outros e outras acusados de bruxaria, a Inquisação - que chegou até o Brasil - utilizou métodos como confisco de bens, prisão, tortura e a morte na fogueira, práticas hediondas que se extenderam até meados de século 19.

Claro que no seio de todas as crenças existem sacerdotes, homens e mulheres, honestos e dedicados que atúam alinhados com a consciência e com o único objetivo de auxiliar as pessoas em seu processo de autoconhecimento e evolução. Também há líderes, como o Papa Francisco, que emcampam uma duríssima batalla contra os inimigos internos para tentar colocar a Igreja no caminho da verdade crística.

Porém, a realidade é que a maioria das religiões trabalham para incutir na população a ideia de que o sofrimento é parte da condição divina, procurando que as pessoas aceitem, resignadas, estoicas e mansas, as regras do jogo perverso que jamais tem um final feliz, exceto na edulcorada promessa para depois da morte.

Estamos sendo obscenamente trapaceados por um sistema que, para impor seu projeto falhuto, tenta fazer-nos abraçar a ideia de que, nesta vida, o sofrimento é inevitável e até necessário.

O objetivo é nos manter fracos e submissos para facilitar a padronização de nossos atos e controlar nossas decisões, fazendo com que a subserviência funcione no modo automático do inconsciente coletivo.

Ameaçadas pelo medo, cegadas pelo ódio, desarticuladas pela ignorância, consumidas pelo consumismo, as pessoas acabam sofrendo, e pessoas sofrentes são mais fracas, resultando mais fácil de serem manipuladas e submetidas.


É necessário sofrer?
O sofrimento cria problemas artificiais que enfraquecem
nossas condições, esterilizam nossas possibilidades,  roubam nosso tempo.

Depois da maceração cerebral a que fomos submetidos durante milênios, quem manda é o inconsciente coletivo. Olhamos para os demais, registramos uma aceitação geral do sofrimento como inevitável e até necessário e, como achamos que seremos parte do todo se nos adaptarmos aos padrões gerais, nós também sofremos.

Mas não, não é necessário sofrer. O sofrimento não é nem poderia ser jamais uma necessidade para coisa nenhuma que se pretenda boa.

Evoluir, crescer, melhorar, é lei do Universo. Desenvolver todo o potencial de inteligência, eficiência e amorosidade que existe em cada célula nossa é coisa boa, positiva. É esse o sentido da vida.

Se nessa viagem experimentamos contratempos, se pegamos chuva, seca, frio, calor, sede, fome, doença, solidão, frustração, perdas e passamos pela experiência da dor, é outro papo. São percalços do caminho, tão imperfeito como tudo o é. A dança entre as causas e os azares que faz parte da grande aventura de viver.

No entanto, não precisamos transformar um tropeço, um erro, um acidente, uma adversidade numa dor permanente, transformando-a num sofrimento sem fim. Sofrer não é uma fatalidade e muito menos uma condição para achar o sentido da vida.

Se encararmos a vida como ela é, as coisas da realidade como elas são, dissipando as nuvens escuras da ilusão, correndo os véus dos enganos da educação, dos mandatos familiares, dos dogmas religiosos, dos condicionamentos culturais, poderemos assistir ao milagre da verdade transparecendo, nua e crua.

Quando isso acontece, com a realidade diante de nós, qualquer sentimento de agonia/ desespero/ incompreensão/ negatividade/ impotência é colapsado. Se observar bem, como observador temos o dom de mudar o observado, e começamos a perceber que existe uma desproporção entre a causa e o efeito daquelas emoções, uma espécie de exagero, de sem razão.

É aí que começamos a jogar luz sobre nossos pontos fortes e fracos, procurando respostas e soluções certas, concretas, além da fatalidade negativa.

Se, por exemplo, perdermos um ser querido, pode acontecer que fiquemos fixados no sofrimento. Esse estado de luto e agonia é ótimo para a Matrix. Mantém as pessoas num estado deprimido, mais fácil de serem manipuladas.

Mas, se tentamos compreender o que é a morte, o apego, a frustração, a transcendência da alma, o ciclo natural da existência, em que nada se perde e tudo se transforma - aqui e em qualquer parte do universo - poderemos começar a ver que o sofrimento não tem basamento na natureza.

Sua aparição é disparada por gatilhos emocionais ou psicológicos, onde nada é real. E, portanto, passível de ser mudado por nós mesmos. Então, podemos transformar a dor do impacto daquela morte numa experiência diferente, positiva, regenerativa, ressurreccional.

O que permite que o sofrimento nos penetre como uma facada no coração é a falta de consciência sobre a realidade, sobre o que verdadeiramente é a galáxia, as estrelas, o planeta e, enfim, a gente. E de como isso tudo faz parte indivisível do todo, alimentado pela mesma Fonte Central.

Quando deixamos de nos perceber como seres álmicos e achamos que apenas somos o corpo, ficamos desligados da Fonte e, em consequência, da verdade. Aí passamos a acreditar apenas no visível, na matéria, no corpo, nos meios, nas ferramentas, os facilitadores, como o dinheiro. Então, ficamos à mercê da Matrix, atrapados nos fios da teia que manipula tudo isso e a nós mesmos. E que, entre tantos instrumentos, utiliza o sofrimento.

Se você repara, toda tese reivindicativa do sofrimento é uma mera afirmação arbitrária, caprichosa, porém ninguém tem argumento certo para asseverar que Deus alguma vez tenha enviado algum tipo de mensagem indicando a necessidade do sofrer ou do medo como condição para aprender, melhorar, crescer.

Tudo pelo contrário. Os voceros direitos da Fonte/Deus/Grande Espírito, como o caso de Jesus e outros, só falaram em amor, compaixão, misericórdia, irmandade.

A ideia do sofrimento não pertence à divindade e, por tanto, não tem basamento natural; trata-se de um conceito concebido no seio da humanidade.

Esses tipos de conceito estão hoje em processo de dissipação na medida em que expandimos nossa consciência, nossa capacidade de perceber a realidade sem ilusões e compreender como são e como funcionam as coisas.

Estamos neste mundo para aprender e sanar. As respostas para o tratamento de toda dor e para evitar o sofrimento estão em nossos corações. Aí temos todas as chaves para essa solução, bastando apenas ouvir nossa intuição, permitindo-nos manifestar as vontades que ressoam em nossa luz.

Não estamos sozinhos. Por baixo e por cima do entramado trapaceiro da Matrix, cósmicas ondas de energia positiva se expandem hoje pelo planeta, tocando nossos corações, chamando-nos para o despertar.

O entramado feroz da Matrix começa a enfraquecer. A medida que as pessoas ampliam sua consciência as lógicas opressivas impostas com violência revelam sua falsidade. O edifício raja e se apresta desabar.   

Se fazemos consciência do imprescindível equilíbrio entre matéria e espírito como condição proveitosa para nossa experiência, poderemos evitar o apego inconsciente e bobo à matéria - incluindo nosso corpo -, debilidade que a Matrix utiliza para nos manter presos, despersonalizados, escravos de seu projeto antinatural, abusivo,  cruel e sofredor.

Nosso aprendizado não tem nada a ver com confrontações nem guerras de tipo nenhum, que hoje são criadas e alimentadas por almas escuras, de baixo nível de consciência espiritual, que cabalgam, desbocadas, em cima de seus egos desesperados.

Na crise terminal da atual civilização, onde a separação do joio do trigo gera o desconforto do estresse e até a agonia da incerteza, não será com antagonismo entre nós que iremos encontrar a paz, mas com a energia vital insubstituível do amor e o sentimento de união na irmandade, iluminando a verdade que nos ensina que, além de nossas benditas diferenças, em nossa essência, somos todos um. E que ninguém está condenado a sofrer. 

AR 🌻

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