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"A ideia de que a matéria é a origem e a organizadora do Universo é apenas um pressuposto, e não uma 'verdade científica', pois nunca foi provada". - Do Manifesto por uma Ciência Pós Materialista - |
➽ Um paradigma de vida é um modelo, a representação de um padrão a ser seguido, um ideal cultural que hierarquiza determinados padrões, valores, formas, métodos. É uma cosmovisão, uma ideia de como é e deve ser o mundo, e como devemos nos comportar para adaptar-nos ao sistema que impõe esse paradigma como verdade superior.
Escuros personagens que foram conquistando o domínio da Terra acabaram impondo o paradigma materialista como um modo de melhor controlar o planeta e a humanidade, neutralizando a consciência cósmica da espécie.
O paradigma materialista defende que a matéria é a realidade fundamental, sendo a base de tudo o que existe, inclusive da mente e da consciência.
Os pontos mais destacados desse paradigma são:
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- Primazia da matéria: o mundo físico existe de forma independente do pensamento ou de ideias abstratas.
- Origem da consciência: a mente, os pensamentos e a consciência são produtos ou reflexos da atividade cerebral e das condições materiais, e não entidades espirituais separadas.
- Oposição ao idealismo: rejeita a ideia de que o universo foi criado por mentes, espíritos ou conceitos imateriais pré-existentes. Não existe nada além do que possam perceber os cinco sentidos.
- Base empírica e (pseudo) científica: o conhecimento deve se apoiar na observação, na experiência e na investigação do mundo físico.
- Condições materiais determinam a vida: a forma como os seres humanos produzem sua própria subsistência (o trabalho e a economia) molda a sociedade, as leis, a cultura e a política.
- Tudo está determinado: somos uma máquina controlada pelos genes e pelas leis da matéria, e por isso não há como mudar nosso destino. Logo, o livre-arbítrio é uma ilusão.
- Privilegia-se o individualismo: a competitividade e a luta entre os indivíduos são os mas eficientes meios evolutivos.
Isso constitui o básico da matriz do sistema, a chamada Matrix.
Apoiado nos atributos da high-tech (alta tecnologia), esse paradigma chegou a seu máximo grau de desenvolvimento sem poder dar respostas aos grandes problemas da humanidade. A crise econômica global do ano de 2008 deixou o sistema imperante nu e ferido de morte. Nunca mais conseguiu achar o rumo expansivo e, supostamente, bem-sucedido da segunda metade do século passado.
Os grandes líderes da economia que, naquele 2008, conseguiram fugir dos efeitos fatais da crise, correram, apavorados, a acelerar a lógica capitalista, gerando a maior acumulação e concentração de capital financeiro jamais vistas antes. E os números acabaram sendo brutais. Menos de 100 pessoas passaram a controlar a mesma quantidade de riqueza que os 3,5 bilhões mais pobres do planeta. A palavra desigualdade fica tímida para qualificar essa atroz assimetria.
Mas a obscena desigualdade não é apenas uma questão de dinheiro, de comparação de contas bancárias. Ela é mais evidente na hora de avaliar o acesso das pessoas a serviços básicos como água potável, eletricidade, saneamento, saúde, educação, conectividade, dos quais muitos carecem e poucos dispõem. Como diria Gil, de um lado esse carnaval, do outro a fome total.
O paradigma se revelou como insuficiente — e até contraproducente- — para dar satisfação aos anseios de realização da alma humana. O sistema, que alguma vez projetou uma enganosa utopia, está definitivamente esgotado como modelo econômico, social e cultural.
Com o materialismo em declínio, colapsam também os valores, modos, formas, pensamentos, sentimentos, fórmulas, meios e até fins que caracterizaram, com diversos tons de época, a civilização humana dos últimos 10.000 anos.
Em meio ao caos, uma mudança vem em andamento, propiciada por mentes e corações mais abertos, mais ousados, mais inovadores, mais espirituais. A essência que nutre esse movimento é uma mudança de paradigma.
Aquela sentença que diz "o dinheiro não compra a felicidade" resultou em alvo de chacota e desprezos vários à medida que a produção de bens materiais foi crescendo, ganhando em sofisticação e aumentando seu peso econômico como valor de troca. No entanto, o espírito da frase continua intacto e é reconhecido até para tentar esterilizar sua aplicação prática. Alguém que pretendeu defender o poder da vil moeda falou assim: "é verdade que o dinheiro não é garantia de felicidade, porém, se tenho de chorar, prefiro fazê-lo sentado numa Ferrari".
Tudo explicado. O cara sabe que o dinheiro não é sinônimo de felicidade; sabe que, com dinheiro, poderá ter uma Ferrari; e que chorar acomodado numa das poltronas resultará, pelo menos, mais confortável. Porém, aceita que, chegado o caso, a Ferrari não apagará seu pranto nem vai lhe tirar o sofrimento em troca de felicidade.
Porquê? Simplesmente porque a felicidade é um negócio da alma. Se a alma que nós somos não se realiza nesta vida, fazendo realidade suas potências, seus talentos, seus sonhos, seus anseios, não tem dinheiro que compense a dor de não ser, a tristeza infinita de haver deixado de cumprir consigo mesmo, de ter desdenhado da grande oportunidade de experimentar em plenitude o que verdadeiramente somos e poder jogar com isso num processo iluminador de aprendizagem do transcendental.
Se isso que somos em essência não consegue achar um curso de realização, para converter o sonhado em fatos certos aqui na Terra, interiormente seremos infelizes. E é isso o que dói, o que nos faz sofrer, por mais avultada que seja nossa conta bancária, por mais veloz e confortável que seja nossa Ferrari, por mais funções e apps que traga o último smartphone, por mais prazeroso que resulte combinar minha pele com outra pele, por mais fama que possa alcançar, por mais poder que consiga conquistar. Posso ter tudo isso e não ser feliz. Posso não ter nada disso e ser feliz.
Nossos corpos pertencem a uma tecnologia envelhecida e, mesmo assim, sua organização biológica é uma maravilha, um robô orgânico de inigualável inteligência neste limitado plano terrenal. Sem embargo, essa smartmachine é apenas um meio, um veículo, um servente da alma. Sabendo que conta com essa ferramenta de realização, a alma — tenaz, inquebrantável, incorruptível — teima em sua perseverança por ser traduzida no mundo da matéria, nos fatos concretos.
Quando essa demanda álmica não é atendida, ela te tinge de insatisfação, gera doenças em teu corpo, desalinha tua bússola, tua vida perde o rumo, o sentido de viver fica confuso. Isso provoca em ti um sofrimento tão profundo que não tem dinheiro que o espante. Poderás ter tudo por fora, porém, irás te sentir vazia por dentro.
O homem apostou tudo à matéria e, durante milhares de anos, desafiou sua própria natureza numa absurda e colossal queda de braços contra se mesmo. A lógica dessa cultura foi imposta pela persuasão ou pela coação ou, então, pela opressão. E a maioria, gostando ou não, acabou aceitando por conveniência ou por medo.
Mesmo com as desigualdades que acarreta, a ideia materialista ganhou tanta força cultural que até aqueles ideólogos e líderes bem-intencionados cultuam o erro. Eles pregam hoje um capitalismo "mais humano", em que as riquezas materiais sejam distribuídas com equidade. Parece piada. A pedra angular do capitalismo é a acumulação não a distribuição. O capitalismo já é humano, aliás, humano demais. Ele é fruto de um casamento entre a megalomania dos homens e o desdém do divino que esses homens praticam.
Num sistema em que a concorrência feroz em busca da acumulação de capital é tida como motor do desenvolvimento da humanidade, não há lugar para um projeto de distribuição equitativa. Não tem como transformar o próprio assassino em salva-vidas.
O capitalismo racha por lá e por cá, mas também fracassam sonoramente ideias e sistemas opostos, como o socialismo de muitas cores. O problema é o mesmo: nenhum consegue transcender os contornos limitantes e reducionistas da visão materialista.
A finalidade de um projeto evolutivo passa por outro lado, vai muito além da matéria. O que deve ser mirado é a criação de condições para que cada indivíduo possa encarar sua jornada evolutiva pessoal, seguindo os mandatos de sua própria alma. A Terra não é, conforme afirmado por aí, um planeta de provação e expiação, mas um campo de experimentação, um planeta-escola.
O roteiro da alma, em sua estadia de aprendizagem, tem muito mais a ver com questões afetivas, emocionais, sentimentais, vocacionais, morais, espirituais do que com o dinheiro, o consumo, o trabalho, a imagem, o currículo, as posses, a fama, o poder.
Os interesses álmicos estão mais vinculados à harmonia com a natureza do que ao intento de dominá-la; à cooperação antes que à competência; à paz antes que à guerra; ao amor antes que ao medo. Quer dizer, a tudo aquilo que transcende o mero marco biológico animal do corpo que oficia de veículo da alma.
Esta civilização cumpriu seu ciclo. Hoje nosso sistema solar viaja em seu giro galáctico, atravessando espaços mais abundantes de luz da que agora recebemos. E nesse agrupamento planetário vai rodopiando esta nave chamada Terra, saindo de seus tempos mais sombrios e recebendo, na crescente luz, maior informação.
Com mais luz, começamos a ver aquilo que não víamos: o atual sistema materialista tem se manifestado incapaz de representar ao ser humano e seu projeto de transcendência que prevê a evolução amorosa de todas as expressões da vida que habitam o planeta.
As mensagens estão chegando de toda parte e por vias diversas. Revelações científicas, canalizações de seres extraterrestres, chamados de líderes espirituais, expressões artísticas, comoventes gestos de solidariedade coletiva, catástrofes ambientais, pandemias arrasadoras, guerras, novos conceitos como o paradigma quântico-holístico- ecológico e por aí vai.
Se começamos a perceber os sinais, é possível que possamos começar a ensaiar um projeto de design de sociedades cujos paradigmas atendam ao que na essência somos, em tanto seres cósmicos inteligentes, amorosos, eternos. E menos à estúpida acumulação de dinheiro, objetos, prestígio, poder, um pacote efêmero e degradável.
Trata-se de sepultar de vez a ilusão de que a conquista de matéria é o fim último de nossa vida e o prêmio que nos fará feliz. Ledo engano. O caminho é assumir a matéria como o artista assume a pedra, a argila, a tela, a tinta, as ferramentas, os materiais com os quais irá modelar sua obra. Artistas da vida, podemos criar na densa realidade do que chamamos de matéria a obra que traduzirá os sonhos mais prezados que trouxemos guardados na alma na hora do descenso neste bendito canto do cosmos.
Sonhos individuais e coletivos que latejam ansiosos por se tornarem fatos concretos que prefigurem uma outra sociedade humana, mais justa, mais diversa, mais colaborativa, mais amorosa, mais bela. ✤
AR 🌻
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