A tecnologia a serviço de tua alma

By Alú Rochya - agosto 05, 2026

O desenvolvimento e uso da tecnologia devem respeitar,
incondicionalmente, a dignidade da pessoa humana.

- Papa Francisco -

➽ As vantagens inimagináveis que hoje nos proporciona a tecnologia para otimizar nossa experiência de vida foram, em grande medida, neutralizadas, diminuídas e relativizadas pelo sistema econômico predominante. No exercício de controle das novas ferramentas, a Matrix acabou usando-as para converter as pessoas em meras peças funcionais de suas operações econômicas e suas vorazes ambições.

Essa tendência, hoje parece escalar mais um degrau. As firmas OpenAI, Anthropic, Alphabet (dona de Google), Meta, PayPal e Palantir aceleraram na disputa global pelo controle político e econômico da Inteligência Artificial e já desembarcaram em Washington com oficinas e equipes de lobby para modelar as políticas públicas dos Estados Unidos, país desde onde elas impõem condições para o resto do mundo.

O termo high-tech ou alta tecnologia engloba o que existe hoje de mais desenvolvido em ciência, engenharia, softwares e métodos. Aí entram, em destaque, a Inteligência Artificial e a Automação Industrial que trabalham com algoritmos complexos capazes de aprender, tomar decisões e gerar conteúdos ou análises preditivas. A Computação em Nuvem (Cloud Computing) permite acessar dados e softwares de maneira remota. Com essas ferramentas, as empresas procuram o aumento da produtividade e a redução de custos, otimizando tempo e recursos, correndo atrás de seu objetivo principal: grana, grana, grana.

Antigamente, as cidades e povoados tinham um mercado, um local único e específico onde as pessoas se encontravam para se abastecer de alimentos e trocar, comprar, vender de tudo. Hoje, os próprios centros urbanos foram convertidos em um extenso e imenso mercado. As coletividades, organizadas primeiramente ao redor de interesses sociais, culturais e espirituais comuns, passaram a ser comunidades mercantilizadas onde as interações humanas são tratadas como mercadoria, passíveis de serem compradas e vendidas.

As novas tecnologias jogam um papel decisivo nessa mutação, pois abrem uma instância ainda mais abrangente: o comércio virtual. Aí os indivíduos são pegos em seus próprios lares para serem transformados em clientes manipulados pelos algoritmos e pela instantaneidade do clique, um fenômeno que se reflete no rápido crescimento do e-commerce nos últimos anos.

Hoje é notória a expansão desse modelo com a aplicação e o uso intensivo da Inteligência Artificial para a personalização da oferta em tempo real, estimulando e pressionando a compra, restringindo a capacidade de avaliação respeito à necessidade de um bem ou um serviço e diluindo o poder de decisão na hora de efetivar o gasto.

O sistema da Matrix se movimenta pela obsessão por obter o maior lucro possível, propiciando uma mera e absurda acumulação de capital financeiro em mãos de um reduzido grupo das elites econômicas nacionais e internacionais. Em uma sociedade mercantilizada, essa operação significa acumulação de poder, que se administra com o desenvolvimento e controle da alta tecnologia.

As possibilidades comunicativas e transacionais que traz o gesto mínimo de apertar um simples botão num diminuto aparelho têm permitido globalizar os negócios em todas suas instâncias, porém não alcançaram a mesma dimensão na hora de atuar como facilitador e solucionador global em questões políticas, sociais, ambientais, culturais, espirituais. Pior ainda: ao ser mercantilizada toda atividade humana, esses aspectos acabaram sendo incorporados ao mercado e apreciados ou depreciados segundo as margens de ganhos que possam gerar, para o qual é imprescindível o consumo.

Coração do capitalismo, o consumo é o músculo que bombeia o lucro que vai se converter em capital, que não é outra coisa que uma imensidão de grana acumulada que simboliza o tamanho do poder econômico e financeiro de uma empresa. Essa dinheirama é o que lhe outorga capacidade e autoridade para influenciar as tendências dos mercados e condicionar as decisões políticas de governos e governantes.

Então, sendo o consumo o suporte essencial do sistema, uma formidável maquinária de propaganda, produção em cadeia, distribuição, obsolescência programada, formação artificial de novos mercados e preços é montada para multiplicar consumidores. Assim, a inovação tecnológica alcançada nas últimas décadas impulsionou a níveis jamais registrados antes o consumo bobo de bens e serviços mesmo desnecessários, porém, geradores automáticos de lucro.

Um mínimo exemplo disso: influenciados pela publicidade e condicionados por uma baixa autoestima, jovens e pobres lideram a triste estatística que revela a porcentagem daqueles que, uma vez por ano, trocam seus atualizadíssimos celulares por alguma razão estética ou um botãozinho a mais.

Jovens e pobres são a parte da população entendida como economicamente ativa que não tem arte nem parte. São dois segmentos sociais em stand by, aguardando ser incorporados aos censos da economia global: os primeiros quando alcançarem a adultez e os segundos quando conseguirem sair da pobreza. Enquanto isso, eles se percebem fora da vida, na rua, numa senzala a céu aberto, do outro lado dos altos muros que protegem a casa grande dos amos.

Então, ter em mãos um celular de última geração, "superinteligente e colorido", gera neles a ilusão do pertencimento a um universo social - que só acessam virtualmente pela publicidade e as novelas da televisão - e, portanto, acham que são aceitos e automaticamente incluídos em um mundo que, na verdade, não os tem em conta para nada exceto para o consumo.

Um elemental raciocínio nos dirá que a humanidade soube encontrar ferramentas e modos engenhosos para garantir a sobrevivência e estender os prazos de sobrevida. Pelo mesmo exercício racional, deveríamos chegar à conclusão de que trocar de carro ou de celular cada vez que aparece um modelo novo não nos faz estar mais vivos nem esticar nossa estadia por este arrabalde do cosmos.

Por outra parte, garantir e melhorar a sobrevivência do ser humano-animal não pode ser um objetivo em si mesmo, mas um meio para atingir um fim superior: permitir ao ser humano-pessoa seu desenvolvimento e crescimento como tal. Precisamos do corpo exclusivamente para realizar nossa alma. Nascer, existir e morrer sem propósito nem significado não faz o mínimo sentido. Viver é poder realizar os sonhos e anhelos mediante os quais se poderá alcançar o grau de evolução que, como ser espiritual, procuramos na experiência terrena.

Longe dos conceitos mercadológicos lastreados na manipulação da matéria, essa alma vivencia outro tipo de experiências, que não têm preço nem se compram com cartão de crédito. O ser álmico vibra em frequências elevadas frente a estímulos visíveis e invisíveis que denotam uma carga de transcendência da mera organização que assume a matéria neste mundo.

Ao se deparar com a vida material - ou energia materializada -, a alma registra inúmeros dados além dos computados pelos cinco sentidos através de pulsações vibratórias dessa energia, que fazem disparar emoções, sentimentos, sensações não mensuráveis pelas ferramentas do mercado.

Isso pode acontecer frente a uma pintura de Van Gogh; a Quinta Sinfonia de Beethoven; um gol de nosso time de coração; o nascimento de uma criança; a morte de um velho mestre; um beijo inaugural; um adeus definitivo; uma amorosa carícia; um poema de cordel; o olhar lacerante de um faminto; o estremecimento gozoso de um amante; o cobre antigo de um pôr-do-sol; o céu anil de um amanhecer. 

Encontros e despedidas, vitórias e derrotas, ascensos e descensos, calmas e fúrias, risas e prantos, tristezas e alegrias, são a forja onde essa alma vai temperando-se, e vai revelando-se a si mesma, descobrindo suas sombras e suas luminosidades, aprendendo, corrigindo, na procura de se fazer melhor e mais bela como ser espiritual, enquanto vai decodificando todas essas expressões e circunstâncias da vida e do viver.

O amor, a fé, a esperança, a dor, a empatia, a coragem, não brilham nas vitrines, porém fazem parte da dignidade da pessoa, sua irrepetibilidade, seu mistério, sem cotação na Bolsa de (dis) Valores.

Sem dúvida, neste plano terreno, cada um de nós deve contar com um suporte mínimo: comida, teto, abrigo. Uma trilogia básica que os antigos mestres japoneses chamavam de ishokuju. Isso é o básico essencial que o veículo orgânico que denominamos corpo precisa para sobreviver. E assim, com nosso corpo sobrevivendo, as almas que somos podemos ir fazendo a experiência de aprendizagem e sanação que viemos encarar.

A partir daí, dispor de alguma coisa a mais que o ishokuju deve ser exclusivamente para colocá-la a serviço dessa experiência. Um violão, um trator, um computador, um par de chuteiras, um microscópio, uma filmadora, umas panelas, uma caneta, um celular... Qualquer bem ou serviço que seja um meio para aplicar e desenvolver nossas habilidades inatas, nossos talentos, no exercício das atividades através das quais iremos aprender sobre nós mesmos.

No listado dos anseios da alma não se contabiliza a posse de um telefoninho com três câmaras para tirar fotos de aniversários; nem uma TV de plasma de 136 polegadas para jogar com a playstation; ou uma caminhonete 4 x 4 para levar os filhos para a escola; ou um relógio smartwatch para curtir o Face; nem peitos de silicone para se sentir sexualmente mais atraente. Somos uma alma, um ser espiritual, e nosso negócio é outro. Buscamos aprender sobre valores, amor, arte, beleza, a permanente transformação da existência, as alegrias e as tristezas, o sentido da vida. Tudo aquilo que, de um modo ou outro, em maior ou menor medida, bata no centro do peito, mexa com o coração.

Alguns objetos podem ser de grande utilidade - agora mesmo eu escrevo este texto num notebook. Mas a maior parte dos objetos que guardamos em casa ou os produtos que consumimos são prescindíveis e, antes de tê-los, nem sentíamos falta deles. Tanto assim que, para estimular nossa decisão de compra, somos bombardeados dia e noite com publicidades enganosas que nos prometem o ouro e o louro.

As agências publicitárias afirmam, sem pudor, que para vender um produto tem que ser criada a necessidade do mesmo. Quer dizer, antes do lançamento do produto, nem você nem eu precisávamos dele. Uma trapaça.

Se você parar para pensar, vai ver que a maioria das coisas que nos são ofertadas não passa de artefatos pirotécnicos que jogam luzes de cores com as quais enganamos nosso próprio ego, mas jamais nossa alma. Os espíritos desejam experimentar outras coisas, mais profundas, mais nutritivas, mais vitais, mais essenciais, sempre imprescindíveis para nossa legítima intenção de nos realizarmos e, por isso mesmo, gozar da felicidade.

Falando em terapias alternativas, Osho fez a seguinte reflexão: "a massagem não é apenas uma técnica terapêutica ou um trabalho mecânico, mas sim uma arte sutil baseada no amor, na compaixão e na meditação". Ele defendia que a massagem deve ser feita com 90% de amor e apenas 10% de técnica. E acrescentava o seguinte: "hoje precisamos da massagem porque a gente se esqueceu de amar, de praticar o toque do corpo do outro, que não é uma máquina, mas o verdadeiro santuário de Deus".

Parafraseando Osho, poderíamos dizer que hoje precisamos da Inteligência Artificial porque a gente se esqueceu de praticar a Inteligência Natural.

A alta tecnologia não é outra coisa que a tradução na matéria de parte dos conhecimentos e das capacidades que o ser humano já tem gravados em seu cérebro a instância da informação proporcionada por sua alma.

Isso deveria ser visto como uma obviedade, pois é o próprio ser humano quem cria, com sua inteligência natural, programas computarizados que funcionam à imagem e semelhança da estrutura humana, onde o corpo é o hardware, o cérebro o processador e a alma o software.

Milênios de controle, repressão e manipulação do pensamento fizeram uma verdadeira lavagem de cérebro na humanidade. Se não tivéssemos contaminados e condicionados pelo que poderíamos chamar de data-lixo, talvez não precisaríamos de telefones para nos comunicar, pois, como seres espirituais, dispomos de faculdades psíquicas (mediunidade, telepatia, clarividência, etc.) para exercer uma comunicação de qualidade superior, assim como acontecia nos primórdios de nossa civilização e como acontece em civilizações estelares mais desenvolvidas fora da Terra.

Hoje, o exercício dessas habilidades fica restrito a umas poucas pessoas, mesmo que absolutamente todas as almas gozem dessas virtudes em estado de hibernação. É por isto que a tecnologia artificial passou a suprir essas qualidades naturais reprimidas.

E resulta evidente que essas ferramentas auxiliam o ser humano em diversas situações, condições e necessidades. Em matéria de saúde, se desenvolveram equipamentos médicos e tratamentos avançados que oferecem resultados mais rápidos e procedimentos menos agressivos, trazendo soluções que pareciam impossíveis.

Hewlett Packard fez aliança com vários grupos de ajuda humanitária de Botsuana e Quênia para desenvolver uma aplicação que dá a seus usuários a possibilidade de reportar os primeiros sintomas da malária, e esse recurso permitiu conter e evitar epidemias.

Nos Estados Unidos, a Cruz Vermelha desenvolveu uma série de aplicativos de grande utilidade em momentos de emergência, proporcionando informação precisa e relevante na hora de salvar vidas.

Aplicativos específicos para celulares resultam em instrumentos quase mágicos quando é preciso socorrer vítimas de desastres ambientais como inundações, furacões, tsunamis, terremotos, erupções vulcânicas. A comunicação por meio de mensagens SMS ou de WhatsApp tem demonstrado ser vital em lugares e momentos onde nada mais funciona ou nada funciona tão rápido.

Google disponibiliza um programa de alerta de terremotos comunicada por vibrações nos aparelhos celulares brindando localizações precisas, o que permite às pessoas reagir com celeridade em busca de proteção.  

Resulta fantástico ver os refugiados africanos cruzarem toda a Europa carregando em suas costas uma mínima mochila e atesorando em suas mãos o bem mais precioso para essa travessia: um telefone celular. Com ele, mantêm a comunicação afetiva com seus seres queridos que ficaram para trás, contatam outros migrantes já estabelecidos para receber orientações, acessam mapas para precisar seu roteiro, podem ler/ver/ouvir as notícias sobre sua própria situação, eludir odiosos controles e territórios perigosos, pesquisar possibilidades de hospedagem, descobrir oportunidades de trabalho e até receber o bálsamo de sua música preferida.

Tudo isso com um celular, usado com sentido prático para ir normalizando sua vida de humano-animal e poder se dedicar a realizar sua passagem terrenal como espírito de luz. Ou seja, o celular como ferramenta de libertação e não como fetiche para a alienação e a autoesclavitude.

Internet e as redes sociais são o âmbito usado pelos donos das tecnologias para multiplicar ganhos e submeter as sociedades, porém, as pessoas despertas e as que vão despertando se viram para usar esses espaços a favor da luz.

Assim, você vai encontrar os mais diversos perfis com conteúdos que apontam a revelar novos paradigmas por fora dos padrões da Matrix, ideias e práticas que vão se desenvolvendo como novos modelos, mais vinculados com as formas de expressão e organização da natureza e com o fluxo das energias invisíveis que orientam a bússola do coração humano para o norte das verdades universais.

Informação, cursos, práticas que atendem às demandas de nosso corpo e de nossa alma se espalham e se multiplicam pelas redes. Terapias alternativas, educação holística, vegetarianismo, bioconstrução, artes, decrescimento, diversidade sexual, permacultura, movimentos slow, economia colaborativa, consumo consciente, reciclagem, ecovilas, soberania alimentária, energias limpas, negócios sociais, financiamentos coletivos, despertar espiritual, são alguns dos temas compartilhados graças à tecnologia.

É chegada a hora do amor incondicional. E, mesmo que soe pouco romântico, podemos dizer que o aporte tecnológico resulta numa ajuda vital para traduzir em fatos concretos esse amor. Vital para as novas relações sociais, a diversidade das expressões culturais, as novas formas de fazer política e negócios, os novos (antigos) modos de nos amar.

Enfrente as grandes firmas do setor, dirigidas por escuros personagens como Peter Thiel (PayPal, Palantir), considerado "o coração das trevas" do Vale do Silício, aceleram o desenvolvimento da alta tecnologia para aperfeiçoar os mecanismos de informação e consumo que a Matrix utiliza para o controle da humanidade, questionando a democracia e propiciando o retorno a modelos autoritários de governo combinados com o capitalismo hipertecnológico.

Esses projetos do que poderíamos chamar de modo geral de tecnofascismo são idealizados pelas teorias poshumanas e transhumanas do Vale do Silício e de boa parte dos ideólogos que alimentam os delírios de Donald Trump.

Ante tamanha desmesura, se faz um imperativo dos governos a regulação das tecnologias e, em especial, da IA. Também instituições e organizações sociais devem colaborar no estabelecimento de limites, assim como na tomada de consciência sobre a utilização espúria da tecnologia e os objetivos de domínio, submissão e desacralização das pessoas.

Porém, mesmo sem contar com nada disso, você pode fazer tudo isso. Você pode regular o uso que faz das tecnologias, de seu celular, do computador, dos outros aparelhos; pode interagir criticamente com a IA checando o que ela te fala - e também te mente- com o resultado de outras pesquisas; pode botar limites na exibição abusiva de anúncios; pode procurar informação para melhor conectar com sua consciência e se abrir para os alertas sobre as intenções espúrias dos centros tecnocráticos de poder.

Para além do que podem fazer os poderes públicos e institucionais para proteger os cidadãos, a verdade é que, na hora do vamos ver, só você pode salvar você. Porque você é um ser único e irrepetível e ninguém o conhece melhor que você.

Trata-se de cuidar para que essa tecnologia não sirva para a distração cotidiana, onde um clique após outro leva você para onde nem tinha pensado ir, roubando seu tempo e seu foco. Aprender a evitar o consumo daquilo certamente desnecessário que gera uma satisfação ilusória e brevíssima, que se esvai velozmente, nos deixando outra vez vazios, mas agora com a conta do banco diminuída.

Fazer que o celular, o notebook, o tablet, a Internet com todas suas potências, as redes e suas possibilidades, o raio laser, as câmeras de gravar, o GPS, os apps, e muito mais, sirvam para otimizar sua saúde, seu autoconhecimento, sua realização, atendendo sempre o que dita o coração e não os padrões sociais impostos pelo poder imperante, que não conhece você nem se importa com você.

Para isso se faz ineludível a liberação de toda dependência de qualquer tecnologia que tente nos manter no feitiço da alienação consumista, funcionando como máquinas ao ritmo dos algoritmos e encarar o sentido da contramão, para aproveitar as vantagens operativas e criativas das novas tecnologias e coloca-las ao serviço da experiência terrenal do ser mais nobre e profundo que vibra dentro de você e que é animado pela energia transcendente de uma tecnologia infinitamente superior a todas, a de tua alma. ✤

AR 🌻 

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